terça-feira, 15 de novembro de 2011

CONFIAR EM DEUS


Na última terça-feira, dia 07.11.2011, acordei às 3h30 bastante preocupado com a situação da venda do imóvel onde estamos. Antes do prazo esperado fomos desafiados a uma compra impossível aos nossos olhos. Não sei como explicar, mas depois de um tempo Deus foi me enchendo de paz. Pela manhã, ao chegar à CPA, abri a Bíblia em 2 Samuel 24 e pude entender o que Deus estava requerendo nesse momento de imenso desafio.

O texto de Samuel mostra Davi num momento de fraqueza. É o mesmo texto citado em 1 Crônicas 21, sendo que lá há uma referência da ação de satanás na vida de Davi.

Num determinado momento da sua vida Davi resolveu levantar o censo militar da nação de Israel. O censo em si não é pecado. No caso específico de Davi, provavelmente a intenção fosse formar um exército regular. Davi queria conhecer o potencial das forças combatentes disponíveis.

Por muito tempo não entendi o erro de Davi e a reação de Joabe em não querer obedecer à ordem do rei. Só agora entendo que o pecado de Davi é o do orgulho de auto-suficiência, exatamente contrário da atitude que o caracterizou em toda a sua trajetória como rei. Medir a força do exército era esquecer tudo aquilo que ele cria e praticava. Era abrir mão da dependência do Senhor.

Davi, com esse gesto, estava abrindo mão da confiança em Deus para confiar na sua própria capacidade.

A minha preocupação diante do desafio de compra do imóvel nada mais era do que o reflexo da minha incredulidade. Estava tentando “calcular” o meu potencial. Medir a minha condição de alcançar o “alvo” tão difícil.

Deus falou comigo nesse texto. E me ensinou um caminho para restaurar a confiança nele.

Davi sentiu “bater” o coração quando o resultado do censo veio depois de nove meses e vinte dias. Ele tinha um coração sensível e orou imediatamente, primeiro confessando o seu pecado e, então, pedindo a remoção da iniqüidade, ou culpa, e de suas conseqüências.

As atitudes de Davi são lições preciosas para a nossa vida. Deixamos de confiar em Deus sem perceber que estamos agindo dessa forma. De repente, queremos resolver as coisas com as nossas forças. A ansiedade, preocupação e inquietação nada mais são que reflexos de uma vida que parou de confiar em Deus.

Davi precisou restabelecer a confiança no Senhor.

Primeiro, ele reconheceu que tinha pecado – v. 10 – Esse é o primeiro passo; reconhecer que tenho confiado mais em mim do que em Deus e isso é pecado. Tenho dado muitos nomes a esse pecado, como responsabilidade, compromisso, dedicação, trabalho, etc., mas no fundo é a minha tentativa de fazer acontecer com a minha própria força.

Quando Davi fez essa oração, Deus falou com o profeta Gade e deu três escolhas a Davi como punição por causa do seu pecado – Três anos de fome na terra, três meses nas mãos dos inimigos ou três dias com uma peste enviada por Deus. Davi escolheu a terceira. Aí está uma segunda atitude que nos leva de volta a confiar em Deus – Quando resolvo novamente colocar tudo nas mãos de Deus, seja em momentos bons ou ruins – v.14

Foram 70 mil israelitas mortos por causa da peste. Quando a doença estava chegando em Jerusalém, Davi orou mais uma vez ao Senhor e demonstrou uma terceira atitude necessária para quem quer restabelecer a confiança em Deus – Quando paro de culpar os outros e reconheço que o problema está em mim – v.17 – foi isso que ele fez. Reconheceu que tudo aquilo estava acontecendo por sua culpa. Muitas vezes as coisas não vão bem e ficamos procurando responsáveis sem assumir a nossa responsabilidade pessoal.

Deus ouviu a oração de Davi e mais uma vez enviou uma palavra através de Gade. O que foi solicitado, Davi obedeceu sem demora. A ordem era construir um altar em um determinado local, um campo de Arauna, para que a praga cessasse. Davi obedeceu tudo aquilo que lhe foi solicitado.

A gente pode guardar mais uma lição preciosa para restabelecer a confiança em Deus – Quando obedeço tudo o que Deus ordena e restauro a vida no altar – v.18 – Não existe nada melhor do que ter a vida no altar de Deus como um sacrifício vivo, santo e agradável a Ele. Restaurar o altar é restaurar a adoração, restaurar o culto a Deus. Quanto mais próximo de Deus, mais confiante fico.

Davi recebeu de Arauna o campo e os bois para sacrificar, mas não aceitou e pagou o valor devido pelo terreno e pelos bois. Ele sabia que vida de confiança em Deus mexe na zona de conforto, custa muito, não é tão simples. Essa última lição é preciosa – Quando entendo e assumo o compromisso de pagar o preço devido para viver a confiança em Deus – v.24 – Não é simples. É um desafio. Mexe no meu eu, na minha tendência natural. Preciso aprender com Davi que confiança em Deus é algo que custa “caro”. Preciso me esforçar por isso. Não é sem motivo que a Bíblia me ensina que crer é uma batalha e que descansar é um esforço. Me custa muito confiar em Deus e eu quero aprender a pagar o preço devido.

Davi retomou a sua caminhada de confiança em Deus. Um detalhe marcante desse altar construído nesse local é que, posteriormente, o templo foi erguido aí.

A incredulidade nem sempre se manifesta de forma clara, mas ela sempre quer nos pegar de alguma forma. Não existe lugar mais seguro para apresentar tudo do que as mãos de Deus. Cada um tem a sua responsabilidade. Cada um responde por si e não pelos outros. A verdadeira prosperidade é encontrada na dependência que temos em Deus, e somente nele. Quando oferto de forma sacrificial, a repercussão espiritual do gesto alcança mais do que posso imaginar.

Se vamos conseguir comprar o imóvel eu não sei. Mais adiante quem sabe lhe respondo isso. Mas que eu estou em paz, isso estou. A única coisa que quero agora é confiar em Deus.

E como diz Paulo Cesar Baruk, “milagres ocorrem quando de joelhos estou”.

“Confiar em ti, de joelhos em amor ...”

Paz

Ricardo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

REVITALIZANDO A VIDA, SENDO LIVRE DO MARASMO ESPIRITUAL


Eu acredito que em algumas ocasiões Jesus curava alguém não apenas para abençoar aquela vida, mas para ensinar lições preciosas aos seus discípulos. Em Marcos 8, a partir do versículo 22, encontramos a cura de um cego da cidade de Betsaida. Essa cura aconteceu logo depois da conversa de Jesus com os seus discípulos acerca do “fermento dos fariseus”. Eles não entenderam nada e Jesus questionou se eles eram cegos ou surdos. No capítulo 7 ele já havia curado um surdo. Agora no capítulo 8 ele cura um cego. Nos dois casos ele afasta a pessoa do local e usa saliva para curar.

A falta de compreensão e percepção dos discípulos demonstrava certa apatia e marasmo espiritual. É como se Jesus dissesse: vocês precisam enxergar e ouvir de forma diferente. Está na hora de acordar e despertar para a realidade espiritual.

Se essa cura serviu como canal de ensino de Jesus aos discípulos (acredito que ele utilizou a cura para isso), então algumas lições podem ser retiradas e colocadas em nossa vida.

Houve um momento na minha vida que Deus ministrou muito forte ao meu coração esse texto. Em 1990 esse foi texto que preguei após retornar de um congresso desafiador. Deus tinha tocado nos meus olhos pela segunda vez e eu enxergava a vida e ministério de forma diferente a partir de então. Na semana passada, todos os dias o Espírito Santo trouxe essa passagem bíblica ao meu coração e mais uma vez sabia que Deus queria me falar.

A história é simples. Fala de um homem que foi trazido por outras pessoas para ser curado por Jesus. Jesus toma o homem pela mão e o leva para fora da cidade. Do lado de fora, cospe e com a saliva toca nos olhos do cego e impõe as mãos sobre ele. Após esse gesto pergunta como ele está e este responde que vê homens como árvores andando. Jesus impõe mais uma vez as mãos e toca pela segunda vez no homem e agora este passa a ver plenamente. A ordem em seguida é que ele vá para casa e não entre mais na aldeia.

O que pude retirar para a minha vida a partir desse simples relato?

Aprendi que para vencer o marasmo espiritual e revitalizar a vida com Deus eu preciso experimentar algo parecido com o que aquele homem vivenciou.

Aprendi que tem momentos que precisarei da ajuda de outros. Sozinhos, ficamos sem direção. Por vezes ficamos tateando de um lado para o outro procurando dar um jeito na cegueira, marasmo e escuridão espiritual que cerca a nossa história. E não conseguimos nada. Tem momentos que precisamos de ajuda. Precisamos de alguém para nos conduzir a Jesus, orar conosco, nos levar até o lugar onde ele está. O verso 22 diz que alguns o levaram a Jesus.

Aprendi que em algumas ocasiões preciso sentir Jesus segurando a minha mão – v. 23a Tomando o cego pela mão. Peça isso a ele hoje. Diga a ele: Jesus segura a minha mão e conduz os meus passos. Para ele isso não era tão difícil porque ser conduzido por outros era a sua realidade diária. E essa condução faria uma enorme diferença na sua vida. Nós resistimos a isso. Nós sempre achamos que já sabemos andar sozinhos. Está na hora de admitirmos a nossa insensatez e dizer a Jesus – segura a minha mão e conduz a minha vida.

Aprendi que ele pode me tirar de um determinado ambiente e colocar em outro que seja melhor para mim. O v.23b diz que ele levou-o para fora da aldeia. No caso de Betsaida os motivos são expostos em Mateus 11:20-22. Jesus já havia exercido um profundo ministério nesta cidade – “operara... milagres”; O investimento de Jesus ali não tinha sido pequeno – “numerosos” milagres; Por mais que Jesus fizesse, não havia mudança de vida naquele povo – “pelo fato de não se terem arrependido”; Muitos, se tivessem tido a oportunidade de Betsaida, teriam mudado de vida – “Porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram”; Aquela cidade estava sob o juízo do Senhor – “haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras”. Você pode até pensar em mudança de cidade ou mudança de igreja, mas não é essa a ênfase que quero trazer. O que você precisa questionar é se o contexto no qual você está inserido atrai a presença de Deus ou não. Se o Senhor se agrada ou não; se ele vai agir ali ou não. Acredito plenamente que aquele homem amava a sua cidade e queria estar ali. Aquele era o ambiente que dava prazer a ele. Jesus o retira desse ambiente e o cura. Em seguida lhe dá uma ordem de não mais retornar ao mesmo ambiente.
Com quem você está andando? Que tipo de ambiente você tem freqüentado? Qual tem sido a sua rotina?

Aprendi que nem tudo aquilo que acontece comigo tem explicação lógica. Às vezes não entendo o que Deus está fazendo. Parece estranho, mas se Deus está fazendo, então resultados maravilhosos virão sobre a minha vida – v.23c aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos.

Aprendi que poderei ser questionado e confrontado e que o melhor é dizer a verdade para Deus – v.23d perguntou-lhe: Vês alguma coisa? – A sinceridade é chave para a cura em momentos assim. Não podemos continuar dizendo que está tudo bem quando sabemos que as coisas não estão bem. Admitir o que enxergamos e como estamos é o que faz a diferença na nossa vida.

Aprendi que todos nós teremos momentos onde o discernimento e o entendimento da realidade estará embaçado. Melhor do que ficar tateando de um lado para o outro é admitir para Jesus que está tudo turvo à nossa frente – v.24a Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando.

Aprendi que em algumas ocasiões precisarei de um segundo toque de Jesus – v.25 novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito.

Aprendi que quando ele me tocar e restaurar a minha vida essa bênção também será para a minha família – v26 E mandou-o Jesus embora para casa – Era esse o local que Jesus queria que ele fosse. Vá mostrar aos seus o que fiz com você. É fato, a mudança de Deus na sua vida trará reflexos maravilhosos na sua família.

Por fim, aprendi que o toque de Jesus muda radicalmente a minha rotina – v.26b recomendando-lhe: Não entres na aldeia – Jesus não queria que ele ficasse naquela aldeia. A nova vida, a nova visão, o novo momento o levava a uma nova rotina. Talvez esteja na hora de dar um rumo diferente a sua vida.

Eu aprendi com esse texto. E como aprendi.

Boa semana

Ricardo

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

E ele se fez chefe deles... de um “bando” a um grande exército


Lendo o texto em 1 Samuel 22:1,2 encontrei essa frase: “E ele se fez chefe deles...”. Aqueles eram dias de medo, lágrimas, de choro, de quebrantamento. Davi estava fugindo de Saul, perseguido sem motivo e se refugiou em um lugar chamado “Caverna de Adulão”, que significa refúgio, em Judá, a meio caminho entre Gate e Belém. Perto dali havia uma colina fortificada e famosa por suas cavernas, as quais serviam de abrigo natural para o desamparado Davi, embora os seus passos fossem sempre notados. Nesse tempo uns quatrocentos homens se juntaram a ele. Todos aqueles que não se sentiam seguros em suas casas (família de Davi); Todos aqueles que estavam profundamente oprimidos; Todos aqueles que não encontravam mais saída para os seus problemas; Todos aqueles que estavam fracassados financeiramente; Todos aqueles que estavam descontentes e sem esperança, amargurados de espírito. Davi se fez chefe dessa turma.

Se a gente sair desse momento quando o “bando” se forma e for para 1 Crônicas 12, momentos antes de Davi se tornar rei e descrever o seu exército, não há como não se admirar com a mudança. Aqueles homens foram tratados e trabalhados de tal forma que em pouco tempo se tornaram valentes capazes de fazer qualquer coisa por Davi. O exército de Davi é definido em crônicas como um exército formado por Formado por homens hábeis – v.2; Formado por homens semelhantes a leões – v.8; Para esse exército não havia obstáculos – v.8; Homens de extremo valor – v.14; Venciam os obstáculos e continuava na batalha – v.15; Homens cheios do Espírito Santo – v.18; Homens valentes – v.21; Homens que verdadeiramente faziam parte do exército celestial – v.22; Homens que frutificavam, verdadeiros discipuladores – v.28; Homens com nomes conhecidos e já estabelecidos – v.30; Homens com profundo discernimento, que buscavam conhecimento – v.32; Providos com todas as armas necessárias – v.33; Homens resolvidos e perseverantes – v.33; Homens dispostos e disponíveis – v.36; Convictos dos propósitos de Deus – v.38.

Claro que outros muitos entraram nesse intervalo, mas a mudança na vida desses homens é simplesmente marcante. Deus pode fazer uma mudança radical em nossas vidas. Isso é fato.

Quando eles se juntaram a Davi, eram homens despedaçados. Davi também estava apavorado, fraco, sem saber como escapar das mãos de Saul. Mas havia um detalhe que percorria a vida do rei Davi. Ele tinha Deus como o centro da sua história.

O que aqueles homens aprenderam com Davi? Deus era o centro da sua vida, por isso, Davi lidava bem com a rejeição. Apesar de ser desprezados por todos, sabia jamais seria negligenciado por Deus. Cria que Deus faz o impossível, por mais impossíveis que fossem as questões ela sabia que o Deus que tudo pode estava no controle de toda e qualquer situação. Esperava sempre em Deus. Para ele valia à pena continuar esperando no Senhor. Podia perder tudo, mas não ficava sem a presença de Deus, ou seja, ainda que tudo estivesse perdido ou fosse tomado, Deus continua presente na sua vida. Sempre louvava o Senhor e através do louvor ele alcançava vitórias.
Davi era sincero diante de Deus. Para ele não era errado dizer que estava doendo, nem tampouco trazia maldição declarar que estava sofrendo. Era quebrantado diante de Deus. Sabia que não era nada mais que um homem.

Chama a minha atenção a Bíblia não esconder nenhum detalhe da vida desse homem.
Davi não era perfeito. Era um pecador e precisava da graça de Deus sobre a sua vida. Desde quando foi ungido, o Espírito Santo tomou conta da sua vida, mas mesmo assim o seu caráter precisou ser muito trabalhado. Quando lemos os salmos entendemos quem ele era pelas suas orações. Ele se tornou um homem segundo o coração de Deus não porque era perfeito em seus atos, mas por admitir sua imperfeição e buscar uma vida de excelência diante de Deus, tendo o Senhor como o centro da sua história.

Nesse momento difícil da sua vida ele foi para a caverna de adulão (refúgio) e ali o seu exército começou a ser formado. Apesar de todas as suas imperfeições como homem, Deus estava no centro da sua vida. E foi isso que fez a grande diferença.

Deus faz assim. Pega um “bando” de derrotados e assustados e cria um poderoso exército. Deus capacitou Davi. Ali ele exercitou a sua liderança e a partir dali se tornou um dos grandes chefes da história bíblica.

Não sei se eu teria a coragem de Davi, de me fazer chefe de uma galera igual aquela. O que sei é que essa coragem veio porque ele sabia dos planos e propósitos de Deus para a sua vida.

O que aprendo com essa história é que não importa como eu esteja hoje. Se eu colocar Deus como o centro da minha vida e o procurar como refúgio, Ele fará mudanças radicais no meu caráter e, de membro de “bando”, me transformará em um grande guerreiro do seu exército.

Busque a Deus como você está hoje. Aceite os desafios mesmo estando cheio de medos. Busque a “caverna de Adulão”, o lugar de refúgio, e assista o trabalhar de Deus no seu caráter e na sua vida.

Só assista. O show Deus fará.

Boa semana

Ricardo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SOBRAS, SOMENTE SOBRAS...

Algo tem me intrigado profundamente nesses dias. As notícias da igreja perseguida são alarmantes e a profunda dedicação daqueles irmãos me deixa constrangido. No Brasil não sofremos as mesmas perseguições daqueles irmãos, mas não temos visto aqui a mesma dedicação e entrega. A igreja sofredora está disposta a morrer por Jesus. Nós parecemos mais dispostos a continuar na zona de conforto.

Lendo o texto do livro de Malaquias, no capítulo primeiro, a partir do verso seis, me deparei com uma palavra forte do Senhor. Ler esse texto e não sentir nada é não perceber o grito do Senhor para cada um de nós.

Deus se mostra cansado com o tipo de serviço feito no templo. Os sacrifícios não eram mais feitos com o mesmo empenho e dedicação. Os animais não eram selecionados conforme as normas do Senhor. Tudo acontecia de qualquer jeito. Ouvir Deus dizendo que era melhor que eles não abrissem o templo se fosse para manter aquele tipo de serviço é no mínimo assustador.

Vendo esse texto lembrei de uma frase que ouvi há muitos anos do pastor Bill Hybels. Ele compartilhou que escreveu em um guardanapo a seguinte frase: “Se eu continuar fazendo a obra de Deus desse jeito, vou terminar destruindo toda a obra que Deus fez em mim”.

Essa frase foi como um tapa em mim. É exatamente essa a realidade da minha vida. De repente me vi destruindo toda a obra que Deus tem feito na minha vida.

Sempre fui adepto de fazer tudo com excelência para Deus. Eu acredito que a excelência honra a Deus e inspira pessoas. Excelência não é perfeição, mas o melhor que posso fazer. Confesso que, em algumas ocasiões, não tenho visto excelência na minha vida, nem naquilo que faço. Duro admitir, mas em muitos momentos tenho me visto fazendo algmas coisas mais por obrigação...

Aí li outra frase do Valdemar Figueiredo - “Muita gente diz que Deus merece o melhor, enquanto alimenta seu próprio delírio de grandeza”

Por que não tenho dado o meu melhor para Deus? Por que não tenho retribuído tudo aquilo que ele tem feito por mim?

Vamos pensar um pouco no que Deus fez por nós. Deus criou tudo de forma excelente. Deus nos separou e nos firmou como preciosidade sua. Ele diz em Jeremias 2:21 Eu mesmo te plantei como vide excelente, da semente mais pura; como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada, como de vide brava?. Diz também em Ezequiel 17:8 Em boa terra, à borda de muitas águas, estava ela plantada, para produzir ramos, e dar frutos, e ser excelente videira. Diz mais em Ezequiel 17:23 No monte alto de Israel, o plantarei, e produzirá ramos, dará frutos e se fará cedro excelente. Debaixo dele, habitarão animais de toda sorte, e à sombra dos seus ramos se aninharão aves de toda espécie.

Ele não parou por aí. Estando nós em pecado preparou a maravilhosa vinda de Jesus para que tivéssemos a salvação. O Senhor Jesus de uma forma gloriosa morreu na cruz, uma morte com poder para salvar a todos quantos creiam no seu nome. De forma gloriosa e excelente Deus o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu um nome que está acima de todo o nome. Como lemos em Hebreus 1:4 Tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.

Com esse Jesus estabelecemos uma nova aliança. A nova aliança em Cristo Jesus está acima de qualquer aliança - Hebreus 8:6 Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas - Jesus volta para o céu para preparar a nossa morada eterna, mas não nos deixa sozinhos aqui na terra. Deixa para toda a igreja o Espírito Santo, que é chamado também na Bíblia de Espírito Excelente. A gente pode ver isso em Daniel 5:12 porquanto espírito excelente, conhecimento e inteligência, interpretação de sonhos, declaração de enigmas e solução de casos difíceis se acharam neste Daniel, a quem o rei pusera o nome de Beltessazar; chame-se, pois, a Daniel, e ele dará a interpretação. Daniel 5:14 Tenho ouvido dizer a teu respeito que o espírito dos deuses está em ti, e que em ti se acham luz, inteligência e excelente sabedoria. E também em Daniel 6:3 Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino.

Ele não parou por aí. Nos ensinou a andar como igreja, deixando os dons para que funcionássemos como um corpo, bem como um modelo de caminhada que teríamos como igreja. Em 1 Coríntios 12:31 ele diz: Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons. E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

Qual a nossa resposta a tudo o que Deus nos tem feito?

Eu tenho aprendido que tudo na vida é uma questão de relacionamento. Se não tenho compromisso com Deus, não conseguirei ter compromisso com o meu próximo, nem tampouco com o seu trabalho.

O que vou dizer a Deus? Ele só tem derramado amor sobre a minha vida. Em Malaquias 1:2 o Senhor nos diz: “Eu vos tenho amado”

Você tem dado o seu melhor para Deus?

Tenho dito algo com toda convicção. A realidade da igreja hoje é essa: Temos na igreja um povo bom, reconhecido na sociedade pelo potencial e capacidade, mas que dá tudo o que tem lá fora e usa a igreja como local de descanso e refrigério. Na maioria das vezes temos oferecido sobras a Deus.

Por que temos oferecido a Deus apenas sobras? Sobras do nosso tempo, sobras do nosso amor, sobras do nosso potencial, sobras da nossa capacidade, sobras das nossas forças, sobras, sobras...

Temos dito muitas vezes que o trabalho na igreja é voluntário. Segundo as Nações Unidas, o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos... Hoje já se define o voluntário contemporâneo como alguém engajado, participante e consciente; já se diferencia também o seu grau de comprometimento: ações mais permanentes, que implicam em maiores compromissos, que requerem um determinado tipo de voluntário, e que podem levá-lo inclusive a uma "profissionalização voluntária; "A caridade (forte herança cultural e religiosa), reforçada pelo ideal, as crenças, os sistemas de valores, e o compromisso com determinadas causas são componentes vitais do engajamento”. Aplicando para a vida da igreja, o amor, a visão, a fé, os valores do reino e o compromisso com o Senhor são componentes vitais para o engajamento.

Se fosse só essa a nossa posição na igreja já estaríamos fora da definição – porque nem bons voluntários temos sido. O agravante é que somos mais que voluntários, somos servos, somos chamados, vocacionados por Deus, chamados para sermos discípulos, convocados por Deus a deixar tudo e servi-lo integralmente.

A Bíblia diz em Hebreus 11:4 Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala.

A Bíblia fala de uma vida que se dedicou de tal maneira ao Senhor, que mesmo depois da morte a dedicação desse homem ainda é um testemunho vivo. A Palavra de Deus em Malaquias trata exatamente disso: dedicação com excelência.

Por que não tenho entregue o excelente para Deus? Por que tenho deixado tanto a desejar? Por que só sobras para aquele que sempre se dedicou por completo a mim?

Será que todo o potencial que recebi de Deus foi para ser utilizado nos meus projetos pessoais? Por que não tenho dado o meu melhor para Deus?

Por que?

Que o Senhor nos ajude e acorde

Ricardo

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

ÊUTICO E O CRISTÃO DOS NOSSOS DIAS


A história de Êutico é relatada no livro de Atos, capítulo 20. Na véspera da partida de Paulo de Trôade para Jerusalém, os cristãos da cidade se reuniram para a realização de um culto. Era uma última oportunidade de ouvir Paulo. O discurso de Paulo durou até a meia-noite. O local onde eles estavam reunidos era iluminado por lamparinas a óleo. A fumaça e o cheiro desse óleo queimado, além do tempo gasto com a pregação, provavelmente, ajudaram no sono do jovem Êutico. Êutico era um rapazinho entre 8 e 14 anos que foi vencido pela canseira, caiu pela janela aberta no terceiro andar para a terra. Certamente era uma construção com apartamentos, bastante comuns nas moradias mais humildes das cidades romanas. O rapaz foi recolhido como morto. Lucas retrata no texto a capacidade de Paulo de ressuscitar os mortos. Quando o rapaz retomou a vida, os membros da igreja ficaram grandemente confortados e o culto continuou até o nascer do sol.

O fato histórico foi relatado por Lucas. Com essa história teríamos mais uma oportunidade de compartilhar sobre o poder de Deus se manifestando no meio da Igreja.

Gostaria de fazer algo diferente com o texto. Gostaria de criar uma simbologia a partir do fato e fazer aplicações para a nossa realidade. Quero direcionar o texto para o contexto cristão atual. Acho que não fará mal algum pensar nas ocorrências passadas por Êutico como estágios destruidores na vida de um cristão.

Vejamos esses estágios...

A busca pela janela

Sentar na janela é buscar uma zona de conforto – é ficar no lugar onde nos sentimos melhor e mais seguros. É buscar a conveniência pessoal. É criar um estilo de vida cristã no qual possa ser servido e beneficiado, perdendo de vista o meu maior objetivo como servo que deveria estar aqui para servir. Sentar na janela é correr o risco de se distrair com qualquer coisa que aconteça do lado de fora. A distração afasta a nossa atenção do foco principal. A distração com o que acontece do lado de fora nos afasta da caminhada cristã sem percebermos. Em pouco tempo isso pode gerar descaso com a Palavra de Deus. Isso pode destruir a nossa sensibilidade à voz de Deus. Sentar na janela é iniciar uma caminhada de não ter mais prazer de gastar tempo na presença de Deus. Deixar de investir tempo na presença de Deus é trazer insensibilidade espiritual para a nossa vida. De repente, celebrar e estar congregado se torna algo enfadonho e cansativo. Sentar na janela não afasta apenas o prazer de estar nos cultos, mas a alegria de cultivar a devoção. Sentar na janela é evitar o aconchego da comunhão – Na janela você se isola dos demais. Muitas vezes a igreja parece o pior lugar para se construir relacionamentos saudáveis por causa de algumas decepções que sofremos, mas esse não é a realidade do todo. Apesar dos atropelos com alguns, a igreja ainda é o melhor lugar para encontrar crescimento espiritual. Na comunhão você descobre gente que é gente como você, que sofre, que tem lutas, que não desiste de Deus apesar do sofrimento. Descobre gente que já sofreu decepções, mas que aprendeu que decepções fazem parte da construção de relacionamentos. Se a comunhão não fosse essencial a Bíblia não estaria abarrotada de mandamentos recíprocos. Sentar na janela é brincar com o perigo. É correr o risco de ser surpreendido pela morte. Sentar na janela é inverter valores e tentar estabelecer novos conceitos como se fossem verdadeiros. Janela não foi feita para sentar. Você até pode sentar, mas não é lugar para sentar. Sentar na janela pode trazer conseqüências destruidoras para a sua vida.

O estado de sonolência

Muitos caem por estarem tomados por um profundo sono. A fumaça e o calor do ambiente, além da extensa pregação de Paulo, tudo isso provocou um sono enorme em Êutico. Muitas vezes somos tomados pelo sono. Existe o sono saudável, mas também existe um sono prejudicial. Êutico foi tomado por um sono que lhe foi prejudicial. Sono “representa um estado comportamental de desligamento da percepção do ambiente e com modificação do nível de consciência e da resposta a estímulos internos e externos”. Em Romanos 13:11 Paulo nos adverte: E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.

Aquela não era a hora de dormir. Quantos estão dentro das igrejas e dormindo espiritualmente? Lembra de Jesus quando estava no Jardim do Getsêmani? Presentes ali estavam Pedro, Tiago e João, o círculo mais íntimo dos discípulos de Jesus. O momento é de grande agonia. Jesus estava prestes a ser preso e sofrer a crucificação. Ele disse aos discípulos: “A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai.” (Marcos 14:34). Por três vezes o Senhor Jesus orientou seus discípulos a vigiarem e a orarem e, por três vezes, os encontrou dormindo, por que “os seus olhos estavam pesados” de sono. E Jesus os repreendeu: “Ainda dormis e repousais! Basta!” (Marcos 14: 41).

Êutico simboliza o cristão que dorme. Dorme profundamente, na hora errada e no lugar errado. E parece que hoje muitos estão experimentando esse sono profundo. O desinteresse, o descompromisso, a ausência de gente que quer pensar, o não querer aprofundar no conhecimento bíblico, o desânimo, a falta de envolvimento nas atividades da igreja, tudo isso reflete um sono profundo presente nos cristãos.

Esse sono simboliza uma igreja amortecida, que dorme na hora errada e como conseqüência não sonha. Uma igreja que não incomoda, que não transforma ninguém, que não é relevante, que não revoluciona, que não deixa a sua marca na história, que esquece a sua missão e o seu chamado. Uma igreja que envelheceu e parou no tempo.

A queda e morte

Eram conseqüências naturais – a posição e a disposição de Êutico provocaram toda essa indisposição. Quando você cai e não morre, talvez consiga se levantar, mas quando a morte chega, só um milagre de Deus para ter vida novamente. Nós nos afastamos da vida com Deus muitas vezes de forma imperceptível. Pensamos que estamos bem, mas estamos diariamente nos afastando. O trágico é que quando damos conta da situação percebemos que estamos tão distantes que não sabemos mais como voltar para ele.

Para a retomada da vida cristã:

1. É necessário aconchego e empatia – Paulo o abraça

Se a comunhão profunda não for retomada, o mundo não irá crer em Jesus. Jesus afirma em João 17.21: a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.

O que tenho visto hoje no meio da igreja? Pessoas muito amigas entre si, mas que não liberam espaço para mais ninguém nessa amizade; ausência de conexão entre pastores e igreja; pessoas completamente estranhas umas as outras (estão no mesmo local há anos e não se conhecem); pessoas ensimesmadas; pessoas que entram e saem e não são abordadas por ninguém.

Eu mesmo tenho tido dificuldades para construir relacionamentos com algumas pessoas. Tem gente que eu já tentei de todas as formas possíveis construir um relacionamento e nunca consegui. Eu sou pastor e passo por isso. Imagine quem está chegando em uma igreja. Eu nunca vi isso nos mais de 40 anos dentro de igreja.

2. Precisa ter a vida de volta (ressurreição) – Paulo ora por ele e traz de volta a vida

Mas eu entendo que só há ressurreição onde Jesus está presente e manifesta a sua glória. Ele é a ressurreição e a vida. João 11.25 Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;

3. É essencial estar em comunidade – A igreja voltou a cultuar até o amanhecer

Preciso freqüentar os cultos, preciso estar em grupo pequeno. Preciso ter prazer em ouvir a Palavra. Preciso priorizar meu tempo para Deus.

Quando a vida cristã é retomada:

1.. A alegria e o conforto de Deus retornam ao ambiente da igreja

2. Tempo com Deus deixa de ser um problema e se torna um investimento

3. A Palavra de Deus encontra vida no coração de todos

Podemos evitar sofrer o dano que Êutico sofreu, se as nossas atitudes forem diferentes das dele! Infelizmente, Êutico dormiu na hora errada e no lugar errado. Foi “vencido pelo sono” durante um culto, durante uma pregação de Paulo. Dormiu sentado na janela de uma casa que tinha três andares. O resultado, devido à queda, foi a morte. Ele caiu e “foi levantado morto”! A história de Êutico não termina com o seu sono ou com a sua morte: “Descendo, porém, Paulo inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a vida nele está. (...) Então, conduziram vivo o rapaz e sentiram-se grandemente confortados.” (Atos 20:10 e 12)

Podemos construir uma igreja diferente. Podemos sair hoje mesmo da "janela" e sentar no lugar correto. Podemos dizer a esse sono destruidor que basta!

Há uma Palavra de Deus para nós hoje:

“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.” (Ef 5:14)

Abração pra você

Ricardo

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

AGUARDAR COM PACIÊNCIA EM DEUS


Aprendi que existem 3 tipos de espera: A espera serena que é como sentar na varanda ao entardecer, refletindo sobre os acontecimentos do dia. A espera com expectativa que é como sentar em um restaurante aguardando um amigo que prometeu tomar o café da manhã com você. A espera frustrada que é como aguardar duas horas no consultório médico, sabendo que tem trabalho a fazer no escritório. A Bíblia ensina que esperar em Deus de forma serena e com expectativa.

Esperar em Deus é perseverar. Segundo o dicionário Michaelis, perseverar é Conservar-se firme, constante; persistir num estado de espírito ou num sentimento; não mudar de intenção ou orientação; permanecer, conservar-se; continuar, durar.

A Bíblia destaca Calebe como alguém que persistiu em seguir a Deus e confiar nas suas promessas. Um homem que aprendeu a esperar o momento certo para ver o cumprimento da promessa de Deus na sua vida.

Calebe foi um dos 12 espias enviados por Moisés para percorrer a terra prometida. Após 40 dias de exame da terra eles retornaram trazendo as notícias e frutos da terra. A presença de gigantes na terra trouxe pavor a 10 dos 12 espias e o povo se recusou a entrar na terra para tentar conquistá-la.

A Bíblia relata em Números 13 e 14 esses acontecimentos. Por causa dessa atitude de incredulidade toda a geração daqueles que tinham de 20 anos para cima foram impedidos de entrar na terra prometida. Deus anunciou que todos morreriam e estabeleceu um desvio pelo deserto que durou 40 anos até que o povo pudesse novamente entrar na terra de Canaã e conquistá-la.

Daquela geração, apenas Josué e Calebe tiveram o privilégio de permanecerem vivos e conquistarem o que Deus havia prometido.

Por que citamos Calebe aqui? O que aprendemos com ele? Com ele aprendemos verdades essenciais para a nossa vida com Deus. Quem aprende a seguir a Deus e aguardar com paciência o cumprimento da sua Palavra é alguém que toma as mesmas atitudes de Calebe. Em Josué 14:6 a 15 encontramos essas atitudes de Calebe.

Calebe, um homem que esperou em Deus.

Quem espera em Deus...

1. Aguarda em silêncio como se saísse da história porque sabe que o projeto de Deus na sua vida vai ser cumprido – v.6

Depois de Números 14, Calebe se retira da história. Ele não volta a agir ou falar se não em Josué 14. Não há nenhum relato bíblico durante 45 anos de algo que Calebe tenha dito ou tenha feito. Literalmente, Calebe se recolheu e continuou a sua caminhada em direção a promessa de Deus.

Somos por demais inquietos. Não é por acaso que a Bíblia ensina que precisamos nos esforçar para entrar no descanso. Hebreus 4:11 diz: Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência. O texto de Hebreus cita exatamente o contexto de Josué dividindo a terra entre as tribos de Israel. A impaciência é destruidora do descanso e pode trazer prejuízos irreparáveis. Foi a impaciência que afastou Moisés de entrar na terra prometida. Foi a impaciência que afastou Sansão da bênção de Deus. Por causa da impaciência Jonas não aprendeu mais sobre a graça e o perdão de Deus.

2. Mantém o coração aquecido, sustentado na Palavra do Senhor – v.7-10

Calebe relata o que aconteceu no passado e como se sustentou em Deus. Relata a sua experiência – uma que Josué já conhecia. Ele relembra como os outros espiões trouxeram um relatório desencorajador (“desesperaram o povo”; “derreteram o coração do povo”; “espalharam o medo no meio do povo”). O V.7 mostra que, conforme sentia no coração, ele agia. O coração dele era aquecido pela promessa de Deus na sua vida. Ele sabia que precisaria continuar crendo e sendo fiel ao Senhor para ver o projeto de Deus se cumprindo na sua vida.

Calebe sabia que a Palavra de Deus era verdadeira e poderosa. Nada o abateu. Ele não se deixou vencer pela incredulidade que diariamente rondava a sua vida, nem tampouco pelas circunstâncias vivenciadas durante a caminhada pelo deserto. Certamente não foram anos fáceis.

3. Mantém a coragem de prosseguir debaixo das promessas do Senhor – v.11

Em Números 13 e 14 Calebe assumiu uma posição impopular, baseado unicamente na promessa divina de que Israel receberia a terra. Mesmo não sendo ouvido, Calebe não abandonou o povo de Deus. Antes, permaneceu com eles, paciente e fielmente aguardando o cumprimento da promessa. O fato de ser agora um idoso não atemorizou a fé de Calebe. Ele falou e agiu ousadamente com o tipo de fé que é capaz de mover montanhas.

Diariamente seremos tentados a abandonar a confiança nas promessas de Deus. Ao encerrarmos a leitura desse blog seremos confrontados na nossa fé. Andar por fé é um desafio contínuo na nossa vida. A coragem foi um marco na vida daquele homem e ele buscou essa coragem na Palavra de Deus.

4. Encara os desafios como oportunidade de crescimento – v.12

Calebe escolheu exatamente a região de Hebrom para conquistar. A cidade dos gigantes que amedrontaram os israelitas. Ele nunca teve medo dos gigantes (que foi o que mais apavorou o povo de Deus). Foram 45 anos de espera para derrotá-los. Perceba que ele escolheu exatamente o lugar mais difícil de ser conquistado (A terra de Anaque – gigante). Isso significava enfrentar e destruir o que sempre foi um empecilho para a conquista das promessas de Deus.

Calebe não tinha visão de gafanhoto, como o restante da sua geração. Era como se ele dissesse continuamente: “agindo Deus, quem impedirá”.

5. Comemora a conquista e experimenta o cumprimento da promessa do Senhor

Ele venceu, entrou na terra, pisou com a planta dos pés conforme a promessa do Senhor na sua vida; viu suas filhas conquistando também; e ainda experimentou dias de paz (v.15).

Quais lições posso aplicar na minha vida?

1. Não precisamos ficar repetindo constantemente que Deus tem promessas para nós. Devemos guardar essas promessas e caminhar em direção às mesmas.

2. Sustentar-se na Palavra de Deus é o meio de manter-se revigorado quando o que tanto aguardamos pareça bastante demorado.

3. Mesmo tendo que passar por desertos, se os nossos olhos estiveram voltados para o Senhor e Sua Palavra, conquistaremos o que nos foi prometido.

4. Avalie tudo aquilo que afasta você da bênção de Deus e tenha como objetivo retirar isso da sua vida.

5. Nenhuma das promessas de Deus deixará de se cumprir em nossas vidas. O grande segredo é não parar de seguir ao Senhor.

Que Deus nos ensine a esperar nEle.

Boa semana

Ricardo

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

DOIS PAIS, DOIS MODELOS DISTINTOS


Ser pai não é uma tarefa fácil. Como pai preciso ser um refúgio para os meus filhos, ou seja, alguém para quem eles possam correr e em quem encontrarão refúgio. Preciso ser amigo cordial e íntimo. Mais ainda, preciso ser um sustentador para que eles consigam vencer as dificuldades da vida. Preciso ser um companheiro, estar presente na vida dos meus filhos, ser um conselheiro e guia, funcionar como uma lente, dando aos meus filhos a visão correta das coisas. Preciso ser um pai perdoador e nunca guardar rancor. Meus filhos precisam confiar em mim.

A Bíblia traz várias histórias de pais. Duas delas me chamaram a atenção. Uma no Antigo Testamento e a outra no Novo Testamento.

No AT encontrei a história de Eli, um sacerdote e juiz. Eli tinha dois filhos. Os seus filhos seguiram a carreira do pai como era determinação de Deus. Eram sacerdotes também, mas a vida deles não combinava com a atividade que exerciam. Eram terríveis em suas atitudes. Não levavam a sério nada do que era feito no templo e, para completar, viviam em plena prostituição. Eli ouvia falar o que os seus filhos faziam, mas não era enérgico o suficiente para retirá-los da vida que estavam levando. O resultado final foi a morte dos dois filhos no mesmo dia e um caos familiar que jamais pode ser restaurado. Você pode ler essa história no primeiro livro de Samuel, capítulos 2,3 e 4.

No NT encontrei a história de Jairo, um chefe da Sinagoga, o local de ensino da lei. Jairo tinha uma filha com 12 anos de idade que estava profundamente enferma. Sabendo que Jesus estava na sua região, saiu ao seu encontro e lhe pediu que fosse até a sua casa para curar a sua filha amada. O resultado final da história é uma experiência de vida na família com ressurreição e cura da sua filha querida.

São duas histórias muito parecidas com finais distintos.

Existem algumas semelhanças entre esses homens. Eram homens importantes na sua época – Eli era sacerdote e juiz; Jairo chefe da Sinagoga. Eram homens religiosos que conheciam a lei de Deus e tinham o compromisso de ensinar a Palavra de Deus ao povo. Eram homens que conheciam a realidade dos seus filhos – Eli sabia dos pecados dos filhos, assim como Jairo sabia da enfermidade da sua filha. Os dois ouviram notícias de morte dos filhos. Eram homens que recebiam orientações de Deus – Deus falou com Eli, assim como Jesus falou com Jairo.

O que a gente descobre, observando esses dois homens, é que ambos tiveram as mesmas oportunidades de Deus. O que contou foi a reação de cada um diante do que recebeu e ouviu.

Em que a história deles teve rumos diferentes?

Eli manteve uma vida excessivamente ocupada em atividades temporárias, pois era juiz e sacerdote ao mesmo tempo. Jairo não deixou que as suas atividades religiosas como chefe da sinagoga fossem mais importantes do que a sua família. Gastamos muito tempo em atividades que não tem valor eterno e perdemos a oportunidade de investir na salvação dos nossos filhos.

Eli teve sempre alguém aos seus pés para ser julgado ou ensinado, afinal essa era a atividade dele. Jairo, mesmo tendo o compromisso de ensinar e ter pessoas aos seus pés, preferiu buscar os pés de Jesus.

Eli não se gastou diante de Deus em favor dos seus filhos. Em toda história não encontramos Eli buscando Deus em favor dos seus filhos. Jairo insistiu em Jesus até ver a manifestação do seu poder em seu lar. Qual a última vez que você orou pelos seus filhos? Pelo casamento dos seus filhos? Pela sexualidade dos seus filhos? Vale muito investir em oração pelos filhos.

Eli envolveu-se tanto na religiosidade que perdeu a noção do sagrado, Jairo buscou um relacionamento com Jesus, pois sabia quem Ele era e o que era capaz de fazer. Cristianismo não é religião. Cristianismo é relacionamento. Estamos tão acostumados com as práticas religiosas que não temos mais a sensibilidade para ouvir a voz de Deus. Tornamo-nos religiosos praticantes sem a menor intimidade com o Todo-Poderoso.

Eli se mostrou muito preocupado com aquilo que o povo dizia a respeito da sua família. Foi isso que ele disse aos filhos. O que pesava para ele era a sua reputação como líder religioso. Jairo, para ver a filha restaurada, não se preocupou com nada daquilo que poderiam falar a seu respeito. Naquele contexto, onde os judeus faziam uma severa oposição a Jesus, buscar a sua presença era correr o risco de ser rejeitado. Eli não gostou do que ouviu por causa da sua posição. Jairo nem se importou pelo fato de ser o chefe da Sinagoga e pela provável retaliação por ter procurado Jesus.

Eli deixou que os filhos se “alimentassem” como quisessem. Os filhos de Eli arrancavam do povo as carnes que eram oferecidas em sacrifício, sem o menor respeito e viviam engordando comendo o que queriam e do jeito que achavam melhor. Jairo cuidou da “alimentação” da sua filha. Vivemos em dias onde os nossos filhos fazem o que querem. Fico estupefato ao ver a falta de limites dentro dos lares. Cada um diz como quer viver e os pais ficam em silêncio observando essa desgraça no meio da família. Muitos pais choram hoje porque um dia não estabeleceram limites e uma conduta na vida dos seus filhos. Jesus disse a Jairo, “dá de comer a sua filha”. Em outras palavras, cuide do crescimento dela. Acompanhe esse crescimento. Estabeleça uma caminhada para ela.

Eli não reagiu quando a morte dos seus filhos foi anunciada, Jairo ficou com Jesus e não desistiu até ver a vida de volta ao seu lar. Jairo aprendeu e creu quando Jesus manifestou o seu poder curando uma mulher. Eli, mesmo tendo diversas manifestações do Senhor não praticou o que aprendeu. Eli definiu que não havia mais tempo para fazer nada. Jairo aprendeu que o tempo nunca é perdido e tudo pode ser recuperado. Foi assistindo a cura de uma mulher que há 12 anos estava enferma que ele pode aprender que a sua filha de 12 anos poderia ser curada.

Eli trabalhou na casa de Deus, mas era insensível à Palavra do Senhor. Jairo trabalhou para Deus e confiou na Sua Palavra aguardando o cumprimento da mesma. Jesus foi até a casa de Jairo. Deus se afastou da família de Eli.

Quais lições podemos retirar das duas histórias?

1. A inversão de valores pode trazer conseqüências eternas na nossa família. Se o mais valioso para mim são as minhas atividades temporárias, então eu poderei com muita facilidade negligenciar aquilo que é eterno.

2. Ser religioso e estar bastante envolvido no trabalho de Deus não substitui a minha responsabilidade como pai e sacerdote do meu lar.

3. Deus dá a todos nós instrução sobre como trazer vida para o nosso lar. O que conta é a nossa reação diante dessa palavra.

4. Investir tempo com Deus em favor dos filhos sempre traz resultados abençoados.

5. O que conta mesmo no final das contas e se Deus tem prazer de estar em nossa casa.


Feliz dia dos Pais e boa reflexão

Ricardo