segunda-feira, 25 de julho de 2011
ADORAR E NADA MAIS - QUANDO O CULTO SE TORNA A MINHA VIDA
Certa vez ouvi a seguinte frase do pastor Caio Fábio: “Se não tem culto na vida, não há vida no culto”. A falta de entusiasmo na celebração de domingo é fruto de um distanciamento do culto durante a semana. O entusiasmo das minhas declarações de amor está diretamente ligado ao nível de intimidade que vivencio com a pessoa. Quanto mais íntimo e próximo, mais intensifico o que sinto. Ninguém prega sobre isso, mas conseguimos estabelecer semanalmente o seguinte comportamento: Domingo é de Deus e a semana é minha. Estamos perdendo o nosso maior objetivo aqui na terra – glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Um dos salmos mais conhecidos da Bíblia é o de número 100. Já tinha estudado esse texto várias vezes, mas nunca tinha atentado nos imperativos presentes no mesmo. Pelo menos quatro imperativos podem sem destacados com lições preciosas para a nossa vida.
Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras. Em outras palavras, adore a Deus com toda a sua força e com todo o seu ser. O grito jubiloso é o equivalente na adoração ao grito de homenagem ou fanfarra para um rei. Em outras palavras precisamos celebrar a Deus com todo o nosso ser. Celebrar é realizar com solenidade, comemorar, festejar, publicar com louvor, exaltar. De muitas maneiras podemos expressar louvor a Deus. Você pode erguer as mãos; Você pode curvar-se e prostrar-se; Você pode aplaudir; Você pode dançar; Você pode gritar; Você pode sorrir; Você pode chorar. A ordem de Deus é celebrai – use todo o seu ser para o Senhor.
Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. Traduzindo, tenha a adoração como estilo de vida. A Bíblia nos ensina que fomos criados para agradar a Deus e adorá-lo para sempre. Dar prazer a Deus e agradá-lo é o que chamamos de adoração. A celebração contínua é algo presente na vida daquele que se tornou um adorador. Por guardarmos conceitos errados sobre celebração não conseguimos entender atitudes como a de Jó, que adorou a Deus logo após ter perdido tudo, nem a de Paulo e Silas na prisão, que mesmo açoitados e machucados puderam exaltar a Deus com altos louvores. Celebração é para toda vida, em momentos de alegria ou pesar. Isso significa que não importa o que estamos passando ou enfrentando. Sabemos que Deus está conosco e que todas as coisas cooperam para o nosso bem. Adoração não é um momento de culto, nem tampouco uma parte da nossa vida. Adoração deve ser um estilo de vida. Você e eu fomos criados para sermos adoradores. Adorar é muito mais do que música. A adoração não é para nosso benefício. Quando adoramos, nosso objetivo é agradar a Deus, não a nós mesmos. A adoração não é parte da nossa vida; ela é a nossa vida. Cada atividade pode ser transformada em ato de adoração, quando você a faz para louvar, glorificar e agradar a Deus. 1Co 10:31 Portanto, quando vocês comem, ou bebem, ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Cl 3:23 O que vocês fizerem façam de todo o coração, como se estivessem servindo o Senhor e não as pessoas.
Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio. Isso quer dizer, construa uma profunda amizade com Deus. Quer construir essa amizade com Deus? Rick Warren dá algumas dicas interessantes: Converse constantemente, medite continuamente, seja sincero com Deus, tenha uma vida de obediência na fé, valorize o que Deus valoriza, deseje ser amigo de Deus.
Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. Entrar na presença de Deus e se colocar nos seus átrios, ou seja, renda-se por completo a Deus. “A simplicidade deste convite talvez oculte a maravilha do mesmo, pois o convite aqui é para entrar nos átrios do Senhor. Há um lugar reservado para o povo de Deus – a Sua presença”. Ele vem seguido de dois outros mandamentos – Rendei e Bendizei. Render traz o sentido de manifestar admiração e homenagem. Bendizer significa dar glória, declarar como bendito. Quando nos reunimos, como povo de Deus que somos, e temos o privilégio de entrar na Sua presença, um sentimento profundo, ardente e íntegro de resposta a Deus pelo que Ele é, deve encher os nossos corações. A verdadeira adoração acontece quando você se entrega totalmente a Deus. Render-se a Deus não é resignação passiva, fatalismo ou desculpa para a preguiça. Não é desistir de um raciocínio lógico – Deus não quer ser servido por robôs. Não é suprimir a sua personalidade. A rendição se manifesta claramente na obediência e confiança em Deus. Todo mundo em todo tempo se rende a alguém. Se não for a Deus, você se renderá às opiniões ou expectativas dos outros, ao dinheiro, ao rancor, ao medo, ao orgulho, luxúria ou ego. Stanley Jones dizia: “Se você não se rende a Cristo, se rende ao caos”.
O salmo começa alargando o horizonte – todas as terras – e conclui ampliando a visão e as nossas expectativas – Porque o SENHOR é bom, a sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a sua fidelidade.
Como aplico tudo isso a minha vida
1. Tornar a vida um culto a Deus é iniciar uma preciosa caminhada de adoração.
2. Se não há em mim uma santa expectativa de encontrar Deus nas celebrações, então comprovo o quanto estou distante dele.
3. Fomos criados para adorar. Não ter a adoração como estilo de vida é estar fora do propósito de Deus.
4. Não existe a menor possibilidade de se construir uma amizade íntima com Deus sem mudança de postura do dia a dia.
5. Render-se a Deus não é a melhor maneira de viver, é a única maneira de viver.
Uma semana de adoração pra você
Ricardo
segunda-feira, 11 de julho de 2011
ELA INSISTIU EM JESUS
Insistir em algo pode ser sinônimo de teimosia ou determinação. No caso da mulher cananéia, descrita em Mateus 15, acredito que foi determinação.
Uma mulher sem nome, de uma etnia diferente, que impressionou Jesus pela sua insistência em busca da libertação da filha.
As atitudes dela me levam a refletir sobre o tipo de cristianismo que tenho vivido. Ter convicções teológicas bem definidas distantes da prática tem me levado a muita teoria e pouca experiência.
Nas suas atitudes pude relembrar verdades essenciais da vida cristã. Rever essa história reacendeu o "cristianismo puro e simples" no meu coração.
Quais as atitudes vistas na mulher cananéia que servem para todos nós?
Vejamos algumas delas:
1. Buscou a solução naquele que era capaz de resolver o seu problema
Ela queria uma solução para a possessão da sua filha. Ouviu falar de Jesus e resolveu buscar nele a solução para a restauração da sua filha. Ela sabia qual o problema da sua filha – espiritual - Sabia quem era Jesus – promessa dos judeus (Filho de Davi)- pois havia uma consciência messiânica nela. Se é para buscar alguém, por que não buscar quem de fato pode ajudar? Por que não agimos da mesma forma? Por que sempre tentamos resolver do nosso jeito e só na última instância recorremos a Jesus?
2. Clamou a Jesus do fundo da sua alma
Se existe algo que chega aos ouvidos de Deus é o clamor do seu povo. Pelo menos em 70 ocasiões podemos ver o clamor na Bíblia. Até Jesus no momento de agonia e dor se utilizou desse recurso, pois com forte "clamor e lágrimas" ele buscou a face do Pai. O seu clamor foi de uma mãe aflita intercedendo por uma filhoa aflita. Isso agrada a Deus.
3. Expôs a sua dor sem medo de ser notada
A mulher continuou clamando por misericórdia, mesmo sem Jesus lhe responder. Os discípulos supuseram que Jesus estava aborrecido ao ser importunado pela mulher, mas na verdade eles estavam muito irritados. Foram a ele e pediram que mandasse ela embora sem atender o seu pedido. Mas mesmo essa irritação dos discípulos não intimidou aquela mulher. Ele não teve o menor receio de externar a sua dor. E nós ainda insistimos em aparecer como isentos de dor e sofrimento diante dos outros. Se está doendo, por que não dizer que está doendo?
4. Insistiu atrás daquele que parecia não lhe ouvir
Talvez eu desistisse depois de algumas tentativas. Acho que tenho feito isso em alguns momentos. Ela não desistiu e me relembrou com esse gesto ensinamentos de Jesus quando falou que deveríamos pedir e bater até abrir, quando contou a parábola do juiz iníquo e a viúva pobre. Insistir em Jesus... Ah como preciso praticar isso!
5. Adorou mesmo sem ter alcançado o que tanto buscava
Sabe o que é isso? Derramar-se em adoração mesmo sem ter da sua parte alguma “atenção”? Ela simplesmente não se intimidou pela "relutância" de Jesus em ajudá-la. Ele o adorou antes de receber algo da sua parte.
6. Entregou-se como serva e se submeteu ao seu senhorio
Ao declarar que Jesus era o Senhor da sua vida, com sinceridade, sem acanhamento, ela repetiu o mesmo clamor de maneira mais abreviada e mais pungente, Senhor, socorre-me!, enquanto se arrojou quase desesperadamente sobre a sua piedade.
7. Sabia que, vindo de Jesus, qualquer bênção era suficiente para realizar tudo o que era necessário
Jesus continuou negando-lhe atendimento quando afirmou não é bom tomar o pão dos filhos... A resposta da mulher foi direto ao alvo – mas até os cachorrinhos comem das migalhas. Em outras palavras, “não estou pedindo o que pertence aos outros; estou apenas pedindo que seja tratada como os cachorrinhos da casa que podem comer tudo que cai no chão”.
Ela alcançou a vitória – v.28 - Que fé extraordinária! Foi a resposta de Jesus. A sua fé chamou a atenção de Deus. Desde aquela hora a sua filha possuída por um espírito maligno ficou sã. Isso é persistência motivada por uma esperança inquebrantável.
O que sustentou essa mulher mesmo em meio a tanta oposição?
A fé. Ela acreditava que com apenas uma palavra Jesus poderia salvar a sua filha e se agarrou nessa fé.
A fé é a vitória que vence o mundo – 1 Jo 5:4. Duas vezes nos diz a Bíblia para buscarmos a fé – 1Tm 6:11; 2Tm 2:22; Sem fé é impossível agradar a Deus – Hb 11:6; As vitórias para Deus são alcançadas mediante a fé – Hb 11:32-39. Desde o momento da salvação até a entrada no céu, a fé é a chave todo-importante para Deus.
Fé é ter confiança profunda em Deus, no seu amor, sabedoria e poder. É ter a certeza de que Deus está no controle de tudo aquilo que envolve a sua vida. É ser capaz de dizer como Jó: “Ainda que ele me mate, nele esperarei” (Jó 13:15). Fé é obedecer mesmo quando o coração pergunta “por quê”?. Fé é ver as coisas na perspectiva de Deus, é ter a visão do amanhã de Deus. Fé é a disposição de agir conforme as promessas de Deus, como Abraão, de obedecer a Deus mesmo quando não sabe para onde Ele o está levando. Fé é a capacidade de suportar a mais violenta tempestade. Fé é conseguir louvar a Deus apesar das circunstâncias. "É a capacidade de sorrir quando todos estão sombrios, a capacidade de louvar a Deus quando todos os outros ao seu redor criticam e se queixam, a capacidade de cantar quando muitos à sua volta estão chorando".
A Fé a levou até Jesus, fez com que ela pedisse ajuda a Jesus. A fé a levou a se achegar a Jesus. A fé a levou a perseverar na hora da prova, na hora da dúvida. A fé a levou a vitória. A fé a levou a um conhecimento pessoal e íntimo com Jesus. A sua a levou um forte testemunho para o seu lar.
Tudo isso traz ensinamentos preciosso para a nossa vida
1. A persistência motivada por uma esperança inquebrantável sempre traz resultados incríveis da parte de Deus.
2. O silêncio de Deus em situações difíceis da nossa vida jamais significa descaso do Senhor, mas sempre uma oportunidade de crescimento.
3. Evidenciamos a nossa fé em Deus pelas nossas atitudes e ações.
4. Em Deus, a bênção, por mais insignificante que pareça, é capaz de transformar uma família. Nunca menospreze uma bênção por menor que seja. Eram só migalhas, mas capazes de libertar uma filha das garras do diabo.
5. Vitoriosos, na perspectiva de Deus, serão os que crêem nele de forma incondicional.
Insista em Jesus
Uma semana abençoada pra você
Ricardo
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Aba – Pai – A Intimidade que podemos ter com Deus
Quando observamos a relação de Jesus com o Pai ficamos impressionados. O termo usado pelas crianças judias, uma forma coloquial e íntima quando falavam com seus pais, foi o mesmo que Jesus empregou para se dirigir ao Pai. Aba (paizinho) não tinha precedentes no judaísmo nem em qualquer outra das grandes religiões do mundo. Jesus chocou mais uma vez os teólogos da época e a opinião pública.
O mais fantástico em tudo isso é que Jesus não guardou o privilégio para si mesmo. Ele nos convida e convoca a compartilhar a mesma intimidade e o mesmo relacionamento libertador. Paulo afirma em Rm 8:14-16 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
Somos levados pelo Espírito a clamar, Aba, Pai. É isso o que Jesus quer que vivamos. Intimidade com Deus é o principal efeito da encarnação de Jesus – Jo 1:12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;
Somos filhos de Deus. 1 Jo 3:1 Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo.
Saber disso abre a nossa mente para enxergar a nós mesmos e o outro de forma diferente.
Somos Filhos de Deus, portanto:
1. A maneira como nos enxergamos pode ter pouco a ver com aquilo que realmente somos.
Como você se enxerga? Qual a visão que você tem formado acerca de si mesmo? Talvez você se enxergue na visão dos outros. Talvez seja muito bem visto na sua aparência cristã. Você constantemente ouve uma voz interior sussurrando: “você é uma bênção, um sucesso no Reino de Deus...” Parece bonito, mas essa não é uma definição correta.
“Da mesma forma, quando você mergulha em desânimo, e a mesma voz interior sussurra: ‘você não tem nada de bom, é uma fraude, um hipócrita, um sujeito superficial’, não há nenhuma verdade em qualquer imagem que eu forme a partir dessa mensagem”.
Você é aquilo que Deus enxerga em você. É por isso que precisamos fazer do Senhor e de seu imenso amor os elementos constitutivos do nosso valor pessoal.
Quer uma boa definição pessoal? Defina-se como alguém que é amado por Deus. O fato de Deus amá-lo e escolhê-lo é que determina o seu valor. Aceite isso e permita que se torne a coisa mais importante da sua vida.
2. Deus nos ama
É uma frase simples, mas que exprime uma verdade transformadora – Somos amados de Deus.
Is 49:15 Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.
Deus nos amou sendo nós ainda pecadores – Rm 5:8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
“Ser o amado é nossa identidade, o centro da nossa existência. Não se trata de mera arrogância, uma ideia inspiradora ou uma designação entre tantas: é o nome pelo qual Deus nos conhece, e o modo como se relaciona conosco”.
Deus tem feito isso. A cada momento nos relembra que somos amados dele. Infelizmente, muitos de nós continuamos a cultivar uma identidade artificial e impedimos que a verdade libertadora de sermos os amados a suplante.
Ele diz em Is 43:1,4; 54:10 Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu... Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida... Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o SENHOR, que se compadece de ti.
Henry Nouwen escrevendo para um intelectual de Nova York, de quem era amigo íntimo, afirmou: “Tudo o que quero lhe dizer é: Você é o amado; e tudo o que espero é que você ouça essas palavras como se tivessem sido ditas com toda a ternura e a força que o amor é capaz de conter. Meu único desejo é fazer com elas reverberem em cada canto de seu ser: ‘Você é o amado’”.
3. Precisamos ser compassivos com o nosso próximo
Se eu sou filho de Deus, preciso reagir como ele reage. Quando observo a vida de Jesus percebo que ser como Deus é mostrar compaixão.
Donald Gray disse assim: “Jesus revela, numa vida excepcionalmente humana, o que é viver uma vida divina, uma vida compassiva”.
É sinal característico do filho de Deus a disposição de perdoar os inimigos. Lc 6:35 Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus.
Como é duro vivenciar o perdão. Só existe um lugar para aprendermos mais sobre o perdão, o Calvário. Se ficarmos ali por um bom tempo, veremos o nosso Senhor perdoando apesar de toda tortura e sofrimento. É nessa unidade com o Crucificado, que conquistou nossa paz por meio do seu sangue na cruz, que aprendemos mais sobre perdão e compaixão.
“Compaixão sincera, que gera o perdão, amadurece quando descobrimos onde o inimigo chora”.
4. Somos aqueles que mais evitam julgar os outros
“Viver na sabedoria de quem aceitou a ternura afeta profundamente meu modo de perceber a realidade, a forma pela qual reajo às pessoas e às situações em que se encontram”.
O Preconceito tem destruído o cristianismo. Jesus deixou para todos nós a ordem de amarmos uns aos outros e de forma indiscriminada. Ou seja, não havia limites quanto “à nacionalidade, ao status, à etnia, a preferência sexual ou à amabilidade inerente ao ‘outro’”.
Você sabe o que é compaixão indiscriminada? É o que o evangelho nos ensina.
“Jesus, a face humana de Deus, nos convida a uma reflexão profunda sobre a natureza do discipulado verdadeiro e o estilo de vida radical do filho de Deus”.
Podemos ter uma fantástica intimidade com o Pai a ponto de chamá-lo de paizinho. Jesus deixou esse privilégio para cada um de nós. Podemos curtir essa relação íntima de uma forma especial. Ela será restauradora da visão que temos construído de nós mesmos e nos trará uma forma compassiva de olhar para as pessoas.
Comece hoje mesmo essa caminhada em direção ao Pai. Aproxime-se dele e chame-o de Aba.
Uma boa semana para você.
Ricardo
* As frases entre aspas são de Brennan Manning (O Impostor que vive em mim)
quarta-feira, 22 de junho de 2011
DEUS CONTROLA TUDO
Há alguns dias tive a oportunidade de rever duas cidades do nordeste brasileiro. Em uma dessas cidades, uma cena chamou a minha atenção. O mar avançou tanto que vários edifícios estão no limite de serem atingidos pelas ondas.
Lembrei então de uma conversa que Jó teve com Deus. Após uma longa lista de questionamentos por causa dos seus problemas, sem obter nenhuma resposta de Deus, Jó resolveu silenciar. Enquanto estava em silêncio, Deus se pronunciou, mas não com respostas e sim com perguntas. Em uma delas Deus disse a Jó: Ou quem encerrou o mar com portas, quando irrompeu da madre; quando eu lhe pus as nuvens por vestidura e a escuridão por fraldas? Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus ferrolhos e portas,e disse: até aqui virás e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas? (Jó 38:8-11)
Fiquei observando aquelas ondas do mar batendo nas pedras e retornando sem causar nenhum dano aos edifícios ali presentes e pensei: talvez eles nem parem para pensar nisso, mas por causa de uma ordem de Deus todos conseguem morar nesses locais com certa "tranquilidade".
Imagine se o mar fosse independente e fizesse o que quisesse. Deus traçou limites até para as ondas do mar. Não existe nada no universo que esteja fora do controle de Deus. Ele tem tudo nas mãos. Deus jamais será surpreendido por coisa alguma que aconteça.
A nossa história também está nas mãos de Deus. Não há nada que nos aconteça que fuja do seu controle. Deus estabeleceu todos os limites de segurança na nossa vida. Nada acontece sem a Sua permissão. Ele controla tudo.
Talvez você se veja sem controle diante de uma situação presente na sua vida. Você pode até ter perdido o controle, mas Deus não. Tudo está sob o Seu controle.
Temos hoje a possibilidade de vivenciar esses momentos difíceis de duas maneiras. Primeiro, entrar em desespero achando que não tem mais jeito. Segundo, acreditar que Ele está no controle.
Lembra do que Deus disse através do profeta Jeremias?
"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais."
Você pode ter hoje circunstâncias difíceis na sua vida e tudo pode ser uma dura realidade. Mas não veja esses momentos como a verdade final da sua história. Experimente olhar para aquele que controla tudo e ouça a sua voz suave e forte dizendo: Não perdi o controle de coisa alguma.
Confie nEle. Ele sabe cuidar de tudo.
boa semana
Ricardo
segunda-feira, 13 de junho de 2011
JESUS CHOROU
Uma forma comum de cumprimentarmos alguém que encontramos é "tudo bem?" A resposta quase sempre é "tudo bem". Às vezes estamos angustiados ou cheios de problemas, mas respondemos "tudo bem". Não é raro ouvirmos adultos dizendo a crianças "engula o choro". Estamos inseridos em uma sociedade que evita mostrar as verdadeiras emoções presentes.
Por duas vezes encontramos na bíblia que Jesus chorou. Uma em Lucas 19:41, quando da sua entrada messiânica em Jerusalém, e a outra no episódio da ressurreição de Lázaro (João 11:33-35). Provavelmente Jesus chorou em outras ocasiões conforme relata o texto de Hebreus 5:7 - O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.
Por que Jesus chorou? Essa é a pergunta que precisa ser respondida.
Jesus chorou porque era gente
Jesus era 100% Deus e 100% homem. Como homem tinha limitações e fraquezas. Limitações são próprias de um ser humano finito e fraquezas são próprias de pecadores (No caso de Jesus alguém que está em estado de humilhação para sofrer no lugar dos pecadores, assumindo as fraquezas deles, para que umdia pudesse libertá-los delas). Como homem, Jesus era limitado. Ele se cansava – João 4:6 diz que ele cansado da viagem, assentara-se junto à fonte...; Ele tinha sede – Jo 4:7 quando a mulher samaritana se aproximou ele disse dá-me de beber; Ele tinha fome – Mt 4:2 E depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome; Ele era limitado pelo espaço e pelo tempo. Como homem precisava ser servido.
Jesus tinha fraquezas. Ele sentia dores – Is 53:3 diz que ele era um homem de dores e que sabe o que é padecer; Ele sentia angústias – Lc 12:50 e quanto me angustio...; Ele sentia temores – Mc 14:33 E levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e angústia; Ele sentia tristeza – Tristeza por ver chegar a hora da sua dor maior – Mt 26:37,38 ...A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo; Ele não só sentiu tristeza, como confessou sua tristeza. Ele pediu socorro na tristeza. Ele pediu aos seus discípulos que não dormissem e não deixassem ele só. Pediu que eles orassem por ele.
Nunca se envergonhe de confessar as tristezas que você sente, nem de pedir socorro a quem possa ajudar você.
Jesus não fingia; não tinha medo de mostrar quem era. Jesus era gente também.
Não precisamos fingir. Deus não espera de nós nada além do que realmente somos. Somos gente e temos emoções e fraquezas como todo ser humano tem.
Jesus choru porque tinha amigos diante dos quais e pelos quais podia chorar
Jesus não costumava chorar na frente de qualquer pessoa, mas diante de alguns ele chorava e sabia que podia fazer isso sem ser cobrado. Jesus tinha discípulos íntimos e tinha também amigos íntimos.
Você tem amigos diante dos quais pode chorar? Ou você só pode chorar sozinho? Quem são os seus amigos? Diante de quem você pode ser você mesmo?
Jesus vivia relacionamentos saudáveis. Quando chegou próximo a túmulo de Lázaro a reação interior de Jesus foi de agitação. Literalmente, ele bufou de indignação provavelmente ao ver o que a doença e a morte e os danos que causavam à vida humana. O amor que ele sentia por aquela família de Betânia trouxe o sentimento de dor maior que gerou aquela “agitação” de alma naquela hora. A reação de Jesus diante das pessoas foi tão impetuosa que ele comoveu-se – ele ficou tremendo. Provavelmente, essa comoção inclui o retorcer dos lábios e o enrijecimento do queixo provocando o que nós denominamos de cara de choro. Quando mostraram a ele onde o corpo de Lázaro fora colocado (depois de ter perguntado), ele “irrompeu em lágrimas”. Ele chorou por causa da morte de um amigo muito amado.
Apesar de ter toda a situação sob controle e o poder de ressuscitar, como o fez, mesmo assim, Jesus derramou lágrimas de tristeza por um amigo falecido e seus parentes enlutados, como qualquer pessoa faria. Ele chorou por identificação com os que choravam.
Relacionamentos verdadeiros nos permitem expressar reais sentimentos. A Bíblia nos orienta em Romanos 12.15 Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Isso é vida cristã autêntica. Isso é relacionamento cristão saudável.
A tristeza na morte dos amigos não é algo impróprio. A nossa natureza exige esse sentimento e a nossa fé não proíbe que o façamos. Essa participação com lágrimas é evidência da verdadeira humanidade.
Jesus chorou porque via pessoas perdendo oportunidades eternas
Ele estava ligado aos propósitos eternos de Deus. Ele chorou por causa das oportunidades perdidas pelas pessoas. Ele chorou diante de Jerusalém. Em Lc 19:41 lemos: Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou...
“Chorou” aqui pode ser traduzido por pranteou. Jesus irrompeu em prantos. Lamentou a oportunidade perdida. Desatou a chorar. Deus sente tristeza em seu interior (Ef 4:30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.), mas somente um homem chora – E Jesus chorou.
O povo de Jerusalém não sabia o que é devido à paz. Especialmente importante no modo hebraico de entender a paz é sua ênfase sobre a paz com Deus, o relacionamento correto entre a criatura e o Criador, como ingrediente da paz verdadeira.
Quando Jesus olha para você hoje, ele sorri ou chora? Há quanto tempo você tem ouvido sobre a palavra de Deus e não entregou a sua vida a ele? Será que, como Jerusalém, você acha que a morte e a destruição não lhe alcançará?
Jesus chorou porque Jerusalém não deu ouvidos à sua mensagem. Jesus chorou porque Jerusalém perdeu a grande oportunidade de ser redimida. Jesus chorou porque sabia que toda a altivez de Jerusalém cairia por terra em pouco tempo.
Quais conclusões podemos retirar de tudo o que compartilhamos?
1. É essencial relembrarmos que o nosso Deus se tornou homem e, por isso, sabe exatamente quem somos.
2. Emoções fazem parte da nossa vida. Deus nos criou assim. Fugir delas é deixar de viver a verdadeira humanidade.
3. Em mundo cheio de máscaras, a autenticidade se torna uma libertação da alma.
4. Ter amigos diante dos quais podemos nos abrir nos torna mais humano.
5. Não há como experimentar um relacionamento íntimo com Deus e com outros homens sem emoções.
6. Rejeitar as oportunidades de Deus pode gerar implicações eternas na nossa vida.
7. Quando choramos pelas mesmas razões que Jesus chorou, estamos manifestando um pouco do caráter do nosso redentor.
A cada dia que passa tenho mais convicção de que a maior necessidade da minha vida é aprender a expressar aquilo que sinto. Jesus não se constrangeu em chorar. Ele colocou pra fora o que estava sentindo.
Preciso ser gente de verdade...
Preciso ter amigos diante dos quais possa abrir o meu coração e chorar sem medo de ser rejeitado ou cobrado...
Preciso chorar por aqueles ainda não conhecem Deus.
Preciso chorar
Ricardo
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Eu sempre tive uma vida muito boa...
Eu sempre tive uma vida muito boa. Tive um pai muito presente na minha história. O nosso relacionamento sempre foi muito bom. Apesar de toda dedicação ao trabalho, meu pai sempre foi muito amoroso e proporcionou momentos especiais de comunhão. Não houve uma ocasião sequer que me sentisse desamparado por ele.
Um dia, não sei por que, comecei a perder a graça pela vida boa que levava. Decidi viver por conta própria. A verdade é que eu não sentia mais prazer em conviver com o meu pai e com o meu irmão. Aquela comunhão, aquele pai amoroso, as suas história, nada mais chamava a minha atenção. Comecei a desejar muito uma vida fora de casa.
Foi quando criei coragem e disse ao meu pai que não queria mais ficar naquela vidinha de sempre. Queria ser dono do meu nariz. Por mais que ele me mostrasse o quanto era bom viver em família, eu não conseguia mais ouvi-lo. Hoje sei a tristeza que causei a ele.
Resolvi sair de casa. Peguei aquilo que “tinha direito” e fui para bem longe. Agora eu podia curtir a vida do meu jeito. Entrei de cabeça na “vida” e que “vida”. Nunca tive tantas mulheres, tantos amigos, tanta alegria.
De vez em quando até lembrava as história que meu pai me contava. Ele sempre me falava do quanto era seguro estar na sua presença. Ele me falava de santidade e dos benefícios de caminhar em santidade, mas o que me atraía era a vida que eu estava levando. Sabe quando você tem certeza que o prazer jamais vai acabar, que choro é coisa do passado, que a “mesmice” desapareceu da sua vida? Era assim que eu enxergava aquele meu momento. Curti, ah como curti. Fiz tudo o que imaginei. Relances das palavras do meu pai de vez em quando vinham a minha mente, mas eu não dava a menor atenção aquelas lembranças.
Um dia, perdi tudo. Perdi as mulheres, perdi os “amigos”, perdi a alegria, perdi todo “prazer”. Tentei sobreviver naquele ambiente vazio, mas não tinha como continuar vivo ali. Cheguei ao fundo do poço. Estava afundado na lama e não sabia mais como sair. Foi exatamente nesse momento que lembrei muito do meu pai. Que saudade! Por que perdi o prazer na vida que eu levava. Eu era tão feliz e não enxergava isso. Eu estava morrendo e sabia que não teria muito tempo de vida.
Olhei no espelho e fiquei espantado com a imagem que vi. Eu estava acabado. O pecado destruiu tudo de bom que conseguia enxergar em mim. Preciso voltar, pensei! Mas será que me pai vai me receber?
Voltei! Quando estava chegando perto de casa, percebi que tinha um senhor na porta olhando na minha direção. Os seus cabelos estavam mais brancos agora, mas eu sabia que era o meu pai. Eu até pensei em desistir, mas ele fixou os olhos onde eu estava e começou a vir ao meu encontro. Quando me dei conta, aquele velho estava correndo na minha direção. Fiquei sem ação. Nenhum homem da sua idade faria aquilo a não ser que algo muito sério estivesse acontecendo.
Quando ele chegou perto eu já estava em prantos. Ele me agarrou, me abraçou forte! Eu tentei falar e pedir perdão, mas ele só me dizia: “não diga nada, meu filho, meu filho amado, que saudade filho, você é o meu amado”. Ele me abraçava, me beijava, repetia que eu era o seu filho amado e eu só conseguia chorar.
De verdade, eu queria ser punido de alguma forma, mas meu pai continuava a repetir que eu era o seu filho amado. A festa que ele fez foi incrível. A alegria quando olhava para mim enchia o meu coração de paz e satisfação.
Hoje estou em casa novamente. Redescobri a alegria de estar em casa, o prazer de estar com o meu pai, de ouvir as suas histórias. Como é bom conversar com ele. Como é bom saber que ele nunca desistiu de mim. Como é bom conviver intimamente com o meu pai.
Pai, muito obrigado por me amar apesar de tudo que fiz.
Eu tenho certeza que sou o amado do meu pai.
Que bom!
Assinado, o filho pródigo
Por Ricardo Carvalho, recontando a história bíblica por outro ângulo.
Um dia, não sei por que, comecei a perder a graça pela vida boa que levava. Decidi viver por conta própria. A verdade é que eu não sentia mais prazer em conviver com o meu pai e com o meu irmão. Aquela comunhão, aquele pai amoroso, as suas história, nada mais chamava a minha atenção. Comecei a desejar muito uma vida fora de casa.
Foi quando criei coragem e disse ao meu pai que não queria mais ficar naquela vidinha de sempre. Queria ser dono do meu nariz. Por mais que ele me mostrasse o quanto era bom viver em família, eu não conseguia mais ouvi-lo. Hoje sei a tristeza que causei a ele.
Resolvi sair de casa. Peguei aquilo que “tinha direito” e fui para bem longe. Agora eu podia curtir a vida do meu jeito. Entrei de cabeça na “vida” e que “vida”. Nunca tive tantas mulheres, tantos amigos, tanta alegria.
De vez em quando até lembrava as história que meu pai me contava. Ele sempre me falava do quanto era seguro estar na sua presença. Ele me falava de santidade e dos benefícios de caminhar em santidade, mas o que me atraía era a vida que eu estava levando. Sabe quando você tem certeza que o prazer jamais vai acabar, que choro é coisa do passado, que a “mesmice” desapareceu da sua vida? Era assim que eu enxergava aquele meu momento. Curti, ah como curti. Fiz tudo o que imaginei. Relances das palavras do meu pai de vez em quando vinham a minha mente, mas eu não dava a menor atenção aquelas lembranças.
Um dia, perdi tudo. Perdi as mulheres, perdi os “amigos”, perdi a alegria, perdi todo “prazer”. Tentei sobreviver naquele ambiente vazio, mas não tinha como continuar vivo ali. Cheguei ao fundo do poço. Estava afundado na lama e não sabia mais como sair. Foi exatamente nesse momento que lembrei muito do meu pai. Que saudade! Por que perdi o prazer na vida que eu levava. Eu era tão feliz e não enxergava isso. Eu estava morrendo e sabia que não teria muito tempo de vida.
Olhei no espelho e fiquei espantado com a imagem que vi. Eu estava acabado. O pecado destruiu tudo de bom que conseguia enxergar em mim. Preciso voltar, pensei! Mas será que me pai vai me receber?
Voltei! Quando estava chegando perto de casa, percebi que tinha um senhor na porta olhando na minha direção. Os seus cabelos estavam mais brancos agora, mas eu sabia que era o meu pai. Eu até pensei em desistir, mas ele fixou os olhos onde eu estava e começou a vir ao meu encontro. Quando me dei conta, aquele velho estava correndo na minha direção. Fiquei sem ação. Nenhum homem da sua idade faria aquilo a não ser que algo muito sério estivesse acontecendo.
Quando ele chegou perto eu já estava em prantos. Ele me agarrou, me abraçou forte! Eu tentei falar e pedir perdão, mas ele só me dizia: “não diga nada, meu filho, meu filho amado, que saudade filho, você é o meu amado”. Ele me abraçava, me beijava, repetia que eu era o seu filho amado e eu só conseguia chorar.
De verdade, eu queria ser punido de alguma forma, mas meu pai continuava a repetir que eu era o seu filho amado. A festa que ele fez foi incrível. A alegria quando olhava para mim enchia o meu coração de paz e satisfação.
Hoje estou em casa novamente. Redescobri a alegria de estar em casa, o prazer de estar com o meu pai, de ouvir as suas histórias. Como é bom conversar com ele. Como é bom saber que ele nunca desistiu de mim. Como é bom conviver intimamente com o meu pai.
Pai, muito obrigado por me amar apesar de tudo que fiz.
Eu tenho certeza que sou o amado do meu pai.
Que bom!
Assinado, o filho pródigo
Por Ricardo Carvalho, recontando a história bíblica por outro ângulo.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
COMO ESTÁ A SUA FAMÍLIA?
Houve um momento na história de Israel em que uma família viveu uma tragédia. Nessa época, o temor de Deus praticamente já não mais existia e cada um fazia aquilo que achava mais reto. A voz de Deus já não era tão conhecida e as manifestações do Senhor já não eram tão freqüentes. Poucos eram aqueles que se derramavam diante do Senhor.
Exatamente nesse momento da história, Eli era juiz e sacerdote de Israel. O grande problema de Eli era a omissão e cumplicidade diante do pecado da sua família.
Os seus filhos eram conhecidos pela prostituição e maldade. Talvez, por terem sido criados no tabernáculo, estavam profundamente acostumados com as cerimônias e os sacrifícios. O fato é que eles cresceram sem o menor respeito ao sagrado. Faziam exigências indevidas ao povo e deturpavam o culto de Israel.
Outra “fraqueza” bem presente nos rapazes, eram as mulheres. Sempre que eles achavam alguma “irmãzinha” interessante, levavam pra cama. Isso deixou de ser algo desconhecido e se tornou público. Todo mundo sabia quem eram os filhos de Eli e como era o comportamento de cada um.
A mulher de Eli não aparece na história. As esposas dos filhos só aparecem mais adiante. Mas o que parece é que todos se calavam diante da postura daqueles jovens.
Num determinado momento, quando ninguém esperava que algo fosse ocorrer, a arca de Deus foi conduzida pelos dois filhos de Eli até o local de guerra contra os filisteus. A euforia tomou conta de todo o povo que ali estava.
A arca era muito importante para a nação pois todos sabiam que ela simbolizava a soma de tudo aquilo que Deus é. A arca representava a glória de Deus presente – era a própria presença de Deus.
Os filisteus ficaram assustadíssimos com tudo aquilo, lembrando das vitórias passadas, mas ao invés de fugirem, resolveram lutar com todas as suas forças naquele dia. A derrota de Israel foi terrível (30.000 foram mortos). Hofni e Finéias morreram naquela batalha, Israel foi derrotado e a arca de Deus foi levada para o território inimigo.
Eli, já cego, estava à porta da cidade aguardando alguma notícia, quando ouviu o alvoroço de todos e ao questionar a um dos sobreviventes o que havia acontecido, este lhe relatou a morte dos filhos e a perda da arca. Eli caiu de costas e morreu quando ouviu a notícia da arca.
A sua nora, que estava prestes a dar a luz, entrou em trabalho de parto e naquele momento nasceu o neto que Eli não conheceu. As mulheres tentaram anima-la, mas por causa da morte do marido e do sogro e, principalmente, por causa da arca, ela chama o menino de Icabô. Naquele momento ela só conseguia enxergar que a glória de Deus não mais estava lá.
A história é trágica mas não está longe de nós. O que mais necessitamos em nossas famílias é a presença de Deus, manifesta e gloriosa.
O que provocou tudo aquilo? Vejamos detalhes na vida daquela família
1. Havia uma excessiva ocupação em atividades temporárias
Eli, apesar de ser um homem religioso, era omisso em muitas ocasiões. Vivia ocupado nos seus afazeres no templo e na porta da cidade como juiz. Onde estava Eli? Cuidando de causas alheias. Resolvendo a vida dos outros. Certa vez, li duas histórias interessantes em um livro.
A primeira é de uma garotinha com 09 anos fez a seguinte redação sobre a vovó: “As vovós não têm de fazer nada, só ser vovó. Quando elas saem para passear com a gente, param para ver as coisas bonitas, como as folhas das árvores e as lagartas. E nunca dizem: Anda, menina! As vovós em geral são gordas, mas mesmo assim conseguem amarrar nosso sapato. Elas usam óculos, e a roupa de baixo delas é muito engraçada. Algumas tiram os dentes e as gengivas. As vovós não precisam ser inteligentes. Só precisam saber responder às perguntas que a gente faz, como: Por que Deus não é casado? Por que os cachorros gostam de correr atrás de gatos? As vovós não conversam com a gente errado, que nem criança pequena (como as visitas fazem). Elas sabem que nós não conseguimos entender direito. Quando lêem historinha pra nós, não saltam páginas, nem se importam se a gente pede pra ler sempre a mesma história. Todo mundo precisa ter uma vovó, principalmente quem não tem televisão... pois elas são as únicas gentes grandes que têm tempo.”
Outra história que li traz uma empresa de publicidade com os melhores publicitários que foi contratada para um serviço – criar um slogan onde ensinaria que os pais deveriam ficar menos tempo com os filhos. O prêmio para o vencedor seria um cargo na diretoria. Uma semana depois reuniram-se novamente para ouvir as idéias. O primeiro começou explicando: - vamos dizer aos pais que quando eles fazem horas extras, em última análise, estão visando ao bem dos filhos. As crianças poderão ter boas férias, joguinhos eletrônicos e roupas das melhores marcas. O slogan: PAPAI ESTÁ AUSENTE PORQUE QUER O MELHOR PRA VOCÊ! O próximo apresentou o seu slogan – HOMEM MODERNO: TRABALHANDO PARA GARANTIR UM FUTURO MELHOR À SUA FAMÍLIA. Assim outros dois apresentaram, até que chegou a vez do último. Ele começou a falar: vamos dizer aos pais que os filhos precisam muito deles; que o período de tempo que têm para gozar da companhia das crianças é muito curto, que a infância termina logo, e quando acaba, não volta mais. Se não dedicarem alguns momentos agora a eles, mais tarde irão arrepender-se amargamente. Ninguém entendeu nada, mas ele continuou: vamos insistir com eles em que precisam se esforçar ao máximo para passar bons momentos com a família... nesse ponto, ele fez uma pausa de suspense: - mas diremos também que, como estão muito ocupados agora, devem deixar isso... para depois! E já comemorando declarou o seu slogan : ‘UM DIA DESSES TEREMOS MAIS TEMPO”.
Você já ouviu alguém no leito de morte pedir para ver os diplomas conseguidos, o relógio de ouro que comprou um dia, os extratos bancários? Geralmente, quando restam poucas horas, as pessoas pedem que tragam os mais chegados para ficarem com elas.
2. Eles perderam a noção do sagrado
A grande questão envolvia o que havia de mais santo, que era o tabernáculo do Senhor. Eli conhecia cada utensílio daquele e sabia do seu simbolismo. Os filhos brincavam de escolher a melhor carne, atrapalhando os sacrifícios do povo e Eli muito mal dizia que não era bom aquilo que eles faziam. Deus é santo e tudo aquilo que é dedicado a Ele é santo. A gente vê na Bíblia pessoas sendo perdoadas por adultério e por outros pecados, mas em se tratando das coisas sagradas a história bíblica nos mostra pessoas sendo fulminadas por Deus. Arão assistiu os seus filhos sendo consumidos pelo fogo do Senhor por apresentarem fogo estranho. Uzá foi consumido por ter tocado na arca. Os filisteus foram visitados por males terríveis por causa da arca. Jesus entrou quebrando mesas e soltando animais no templo porque ninguém valorizava o sagrado. Eli não afastava os seus filhos do sacerdócio, simplesmente os “admoesta”, deixando bem claro que não era preciso ser tão radical, afinal pra que tanto zelo e exagero com as coisas de Deus. Só que Deus não pensa assim.
3. Não agiram quando foi preciso
Eli sabia da vida que os seus filhos levavam, mas nem por isso agiu de forma enérgica. É exatamente isso que tem acontecido em nossos lares. Pendências ficam e não são tratadas. De uma forma inconsequente, estamos acumulando maldade sobre maldade e pecado sobre pecado na vida dos nossos filhos.
4. Não obedeceram a Palavra de Deus
O profeta enviado por Deus foi claro com Eli. O testemunho de Samuel foi muito claro também, mas nada mudou. Tudo continuou do jeito de sempre.
Não adianta assumir atividades na obra de Deus, participar de cultos, oferecer sacrifícios de louvor, jejuar, “consagrar” para receber uma resposta de Deus, se a Palavra do Senhor não tem sido praticada.
5. Ficaram insensíveis ao mover do Senhor
Entendemos a dificuldade de Samuel em discernir a voz do Senhor, mas em Eli isso era inconcebível. Mas o que esperar de alguém que enxergava a vida religiosa como ele enxergava? Saber qual a vontade de Deus em determinadas circunstâncias era muito difícil para ele. Não perceber o mover do Senhor é parar no tempo, é assistir a sua glória indo embora.
Num dia inesquecível, dia de derrota e tristeza, dia de profundo luto, nasce Icabô. Um menino que recebe um nome trágico – passou de nós a glória do Senhor. Em outras palavras – a bênção foi embora, a nossa casa está em ruínas.
Não sei onde você se encontra, nem tampouco onde se encontra a sua família. Talvez você ainda esteja gerando Icabô no seu ventre ou quem sabe ele já nasceu. Mas assim como Deus afasta a sua glória, Ele também deseja traze-la de volta quando nos arrependemos e mudamos de conduta. O profeta Ezequiel mostra que o desejo do Senhor é trazer de volta a sua glória. Em Ezequiel 43:2,4 e 5 lemos: E eis que a [glória] do Deus de Israel vinha do caminho do oriente; e a sua voz era como a voz de muitas águas, e a terra resplandecia com a [glória] dele. E a [glória] do Senhor entrou no templo pelo caminho da porta oriental. E levantou-me o Espírito, e me levou ao átrio interior; e eis que a [glória] do Senhor encheu o templo. E finalmente, no capítulo 44:4: Então me levou pelo caminho da porta do norte, diante do templo; e olhei, e eis que a [glória] do Senhor encheu o templo do Senhor; pelo que caí com o rosto em terra.
É a glória de Deus retornando ao seu devido lugar.
Hoje pode ser dia de choro, mas também de arrependimento e de clamor ao Senhor.
Que não venha Icabô, mas que venha sobre nós a glória do Senhor.
Uma boa semana
Ricardo
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