terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
NO LUGAR QUE DEUS QUER, MAS NÃO DO JEITO QUE DEUS QUER
Você já leu o último capítulo do livro de Jonas? É muito interessante. Nunca vi alguém discutir com Deus como ele discute. Não me lembro de ter visto tanta indignação em uma pessoa como pude ver em Jonas aguardando o cumprimento da promessa de Deus sobre aquela cidade. Jonas estava em Nínive. Deus o queria ali, mas o seu coração não estava do jeito que Deus queria.
Há algumas semanas recebi um e-mail de um membro da igreja com o seguinte teor:
Estou cansado...
Estou cansado das pessoas sempre estarem insatisfeitas com a igreja, com o pastor, com a programação, com o culto...
Estou cansado de sempre ouvir reclamações, nada está bom, estão sempre desanimadas...
A sua igreja nunca presta, o pastor nunca faz nada direito, as programações são sempre um fiasco. Sempre o do outro é melhor, a igreja do outro é melhor, o pastor do outro ou o seu ex-pastor é melhor, as programações das outras igrejas são sempre melhores, os membros das outras igrejas são sempre melhores, mais acolhedores, mais animados, mais presentes...
Estou cansado do jeito das pessoas só focarem no pontinho preto, nas coisas mínimas que podem não estar dando certo ou não estão do jeito que ela gostaria que estivesse, e esquecerem da imensidão branca de coisas boas, de bênçãos de Deus, de palavras amigas, de momentos felizes...
Estou cansado das pessoas acharem que podem falar o querem e não precisam ouvir o que não querem, que podem desabafar de qualquer forma não se preocupando se nós vamos ficar abafados afinal de contas quem é líder é super-humano, não sofre, não tem problemas, não fica preocupado, não se machuca...
Estou cansado das pessoas sempre reclamarem que não tem atenção, não tem amigos, não tem apoio, mas nunca se prontificam a dar atenção a alguém, a conhecer pessoas novas, a ser suporte para alguém...
Estou cansado das pessoas cobrarem posturas, cobrarem decisões, cobrarem dedicação, cobrarem atenção e não achar que precisam também se doar um pouco mais...
Estou cansado das pessoas não perceberem que grande parte do problema está nelas, que se não mudarem o seu modo de ser e de se comportar, as coisas nunca estarão boas, independente de tempo, lugar ou espaço, o do outro ou o que ela tinha antes vai ser sempre melhor, mas seria engraçado se não fosse trágico que enquanto tinha, experimentava ou vivia não davam o seu devido valor...
Estou cansado de Deus estar ministrando sobre as nossas vidas pelo menos semanalmente (nos cultos), e a palavra parece que não surte efeito, não é para nós, é sempre para o outro ou, ao invés de revelações de Deus, elas são recebidas apenas como palestras bem feitas...
Esse membro trouxe uma série de exemplos de pessoas que estão no lugar certo, mas não do jeito certo.
Assim estava Jonas...
NO LUGAR QUE DEUS QUERIA, MAS NÃO DO JEITO QUE DEUS QUERIA
Jonas discutiu com Deus porque Deus não fez do jeito que ele quis
Somos mestres em não entender aquilo que acontece conosco. A verdade é que Jonas interpretava a vida à luz das suas próprias ideias e desejos. Toda a sua irritação é porque as coisas não aconteceram do jeito que ele queria. Para Jonas, o seu programa, os seus projetos pessoais, eram mais importantes que a confusão e a criatividade de Deus. Jonas tinha uma ideia já formada quanto aos ninivitas. A confusão de Deus fez com que ele pirasse. E ele não estava disposto a quebrar paradigmas. Com facilidade esquecemos de declarações simples da palavra de Deus. Is 55:8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Rm 9:20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: por que me fizeste assim?
Jonas expôs reações de ira sem nenhuma razoabilidade
A palavra “ira” aparece 5 vezes no capítulo. A linha que separa a ira santa de uma ira pecaminosa é tênue. Mudar de uma pra outra é muito fácil. “Quando a ira aparece é sinal de que há algo errado. O mal, incompetência ou estupidez estão presentes”. “A ira toma conta de nós por acharmos que vemos algo do lado de fora e não gostamos daquilo, mas a verdade é que ficamos irados porque tem algo errado dentro de nós”. “Se seguirmos a trilha da ira com cuidado vamos perceber que ela sempre nos leva a enxergar algo errado dentro de nós – informação errada, coração imaturo, etc”. A pergunta de Deus para Jonas (e esta se repete duas vezes) é muito forte: é razoável essa tua ira? Não há nenhum pecado em ficar irado desde que não pequemos por causa dela, desde que não deixemos que ela se prolongue sobre nós, desde que não deixemos que o diabo dite as nossas reações. Quando temos o costume de ficar irados por qualquer coisa, agimos como Jonas. Jonas ficou irado por uma nação arrependida e teve a mesma reação de ira por causa de uma plantinha morta.
Jonas demonstrou que tinha conhecimento sobre Deus, mas que não tinha experiências nos caminhos de Deus.
No v.2 Jonas demonstra que sabe tudo sobre o Deus da graça, mas não consegue viver essa graça. Sabe tudo sobre o amor de Deus, mas não conseguia entender esse amor. É tão fácil relembrar e até decorar declarações bíblicas e, mesmo assim, nunca experimentá-las na prática.
Jonas se alegrou com o temporário e não atentou para o que tem valor eterno
Uma planta o alegra, a salvação de uma cidade inteira o deixa irado. O que mais tem alegrado a nossa vida? A certeza de vida eterna? A salvação de pessoas? Ou as nossas conquistas pessoais? Infelizmente, gastamos a maior parte das nossas energias e do nosso tempo em projetos temporários. Experimente colocar num papel tudo o que você faz e planeja. Quando tudo estiver lá, anote ao lado o que é eterno e o que é temporário.
Jonas preferiu o seu bem-estar a salvação dos perdidos
Isso é reduzir a vida a emoções irrelevantes. Leia Lucas 15 e veja o ensinamento de Jesus aos religiosos da sua época. Ele conta ali três parábolas em sequência para ensinar algo especial sobre os perdidos. Ele conta a parábola da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho pródigo. Cada um tem um valor inestimável. Deixá-lo perdido é algo inconcebível. Não há limites nos esforços para ver o que foi perdido novamente resgatado. Achar e resgatar o perdido são sempre motivos de festa na terra e no céu. Sejamos francos: Nem sempre estamos interessados na salvação dos outros. Estamos tão engajados nos nossos projetos pessoais, que salvação do perdido não tem sido uma prioridade na nossa vida. Se não ficarmos atentos (e agora falo pra mim mesmo), amaremos mais o nosso ministério (aquilo que fazemos para Deus) do que os perdidos.
Como aplicar tudo isso a minha vida?
De que adianta estar no lugar que Deus quer, mas não do jeito que ele quer? Não existe meio caminho andado para Deus. Ou é tudo, ou é nada. A história de Jonas não tem um final interessante. A história dele termina com ele discutindo com Deus por causa de uma planta e Deus lhe dando uma séria repreensão com uma pergunta: “E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive?”
A história de Jonas é INACABADA e pede um final. Será que Jonas passou o resto da vida lutando contra a imprevisibilidade de Deus ou se tornou um verdadeiro pastor? Será que ele continuou sendo o senhor da sua história ou se submeteu ao senhorio de Deus?
A nossa história também esta INACABADA. Qual o final que daremos a ela? Será que vamos continuar interpretando a vida à luz das nossas próprias ideias e desejos? Vamos continuar tendo as nossas reações de ira sem nenhuma razoabilidade? Vamos continuar tendo conhecimento sobre Deus, mas sem ter experiências nos caminhos de Deus? Vamos continuar nos alegrando com o temporário sem atentar para o que tem valor eterno? Vamos continuar preferindo o nosso bem-estar a salvação dos perdidos?
Há quanto tempo você é cristão? Há quanto tempo você é discípulo? Há quanto você entregou a sua vida a Jesus? Há quanto tempo Ele é Senhor da sua vida? Há quanto tempo você está aqui e não se deixa mudar por Deus?
Você pode estar no lugar certo, com o povo de Deus e na igreja de Deus. Mas somente estar no lugar certo e não está do jeito que Deus quer é o mesmo que ser quase salvo, porém totalmente perdido.
Pense nisso
Ricardo Carvalho
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
A GENTE NÃO PRECISA ESPERAR A AFLIÇÃO PARA BUSCAR A DEUS
É muito interessante ouvirmos depoimentos de pessoas que passaram por momentos difíceis. Após o trauma e todas as lutas, alguns declaram coisas do tipo: “Nunca mais serei o mesmo”; “Acordei para a realidade da vida”; “Foi a pior coisa que me aconteceu, mas foi a melhor coisa para que eu pudesse mudar”.
É muito comum ver pessoas buscando a Deus no meio da angústia. Não foi diferente com o profeta Jonas (Jonas 2) ao ser lançado no mar pelos marinheiros do barco que se encaminhava a Társis. Ele relata na oração que faz dentro do peixe tudo o que sentiu naquele momento e como se voltou novamente para Deus.
Jonas sabia que tudo aquilo era por causa da sua desobediência. Ele bem sabia que estava no lugar errado e na direção errada. Fantástico é ver no texto o meio preparado por Deus para restaurar Jonas. Que tipo de peixe foi aquele não é relevante. O relevante do texto é o milagre de Deus em providenciar um meio de restaurar a vida de um servo seu. Durante três dias e três noites ele ficou naquele lugar, no ventre do peixe.
O ventre do peixe foi para Jonas um local de confinamento, apertado e restrito, oposto a tudo o que ele imaginava e almejava; um local escuro, fétido e úmido.
Deus providenciou um lugar recluso para que Jonas pudesse retomar a sua caminhada com ele. Foi no ventre do peixe que Jonas trabalhou o desenvolvimento espiritual da sua vida. Foi ali que ele foi conduzido de volta à oração. Ali Jonas olhou para Deus novamente, percebeu o seu cuidado e livramento e entendeu que o Senhor é o único que pode salvar. Ali ele finalmente percebeu o quanto era pequeno e como Deus era tão grande.
A oração de Jonas no Ventre do Peixe é muito interessante. Jonas relata o que experimentou ao ser lançado ao mar, mas eleva a Deus uma oração de louvor e exaltação. "A oração na vida de Jonas é despertada por sua situação, mas não se reduz a ela. Sua oração o levou a um mundo muito maior que a situação imediata. A sua oração, apesar de ter sido influenciada pelas circunstâncias, não se prendeu às mesmas com lamentos e desolação. Jonas resolveu louvar a Deus". É uma oração que externa os frutos do seu aprendizado na caminhada com Deus.Jonas orou partes dos salmos.
Ficar trancado, livre de distrações e buscar a face de Deus traz crescimento sem igual na nossa carreira cristã. Deus salvou Jonas e o “trancou” no ventre do peixe.
O valor dessa experiência é tão grande que Jesus compara a sua experiência com a de Jonas. Em Mateus 12:40 ele diz: Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.
Jesus sabia da necessidade de passar pela morte (veja João 12.24 Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto) para que pudesse retornar ressurreto e em glória, vitorioso eternamente.
A experiência de Jonas simboliza uma morte temporária em vida. Jesus utiliza a expressão mostrando figuradamente que Jonas foi levantado dos mortos para exercer a obra para a qual Deus o chamara.
Momentos semelhantes ao “ventre do peixe” nos confinam, nos prendem e nos levam a repensar a vida.
Que tal escolher o ventre do peixe? Parece uma pergunta absurda, pois o que vem à nossa mente é a ideia de sair catando um momento de aflição. Não estou pensando na aflição. A aflição de Jonas não foi “no” ventre do peixe, mas no mar. O vente do peixe foi um lugar de confinamento. Todas as vezes que experimentamos um momento de reclusão, livre das distrações, como uma espécie de santuário e lá praticamos a oração aleatória e baseada nos salmos, estamos a caminho do crescimento espiritual e focaremos na nossa missão aqui na terra. É duro admitir, mas preferimos a largueza e o barulho ao invés do silêncio e confinamento.
Não há como crescer em Deus sem duas práticas essenciais:
A primeira, confinamento diário – tempo a sós com Deus para oração e estudo da sua Palavra. Quando estamos no confinamento encontramos a concentração. Quando estamos num lugar apertado vemos a ilusão indo embora e a esperança surgindo. Quando estamos num lugar “escuro, úmido e fétido” vemos a morte sendo transformada em ressurreição. “A oração é nossa atividade mais fundamental. A vida de oração, a prática de oração, está no centro da atividade humana. Precisamos parar de tratar a oração como um ato cerimonial e entender que oração é vida”;
A segunda, a adoração comunitária – participação dos momentos comunitários de adoração. Discordando veementemente dos adeptos do culto a sós apenas, posso ver na oração de Jonas o momento a sós, mas o anseio pelo momento congregacional: ...tornarei, porventura, a ver o teu santo templo?; ...subiu a ti a minha oração, no teu santo templo; ...Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Jonas sabia da importância de estar com o povo de Deus adorando ao Senhor.
A gente pode simplificar as coisas e começar a crescer hoje mesmo. É só ouvir a Palavra de Jesus “entra no quarto, tranca a porta e ajoelha...”. A quietude nos livra das distrações e nos leva a Deus.
Não precisamos esperar que venham dias difíceis para buscar um crescimento diário diante de Deus. Deus precisou trancar Jonas no ventre do peixe para que ele pudesse repensar a sua vida e retomar a sua caminhada como servo de Deus. Até agora, Jonas tinha se apresentado de costas para Deus, pois ia numa direção oposta, deitado no porão de um barco como se não tivesse nada para fazer. Deus o salvou, colocou num lugar fechado durante três dias e três noites e ele recuperou o louvor, a adoração e o desejo se servir ao Senhor novamente.
Não espere um “afogamento”. Comece a crescer hoje mesmo. Simplifique!
Boa semana
Ricardo
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
E AÍ? VAMOS COMPRAR UMA PASSAGEM PARA TÁRSIS?
É assim que se inicia a jornada de um dos profetas mais intrigantes da Bíblia, Jonas. Para quem lê o livro percebe que a história no início é bem convencional. A expressão veio a Palavra do Senhor a mostra uma comunicação de Deus a um profeta. Isso acontece em diversas partes da Bíblia.
Jonas viveu nos dias de Jerobão II, rei de Israel. Provavelmente Oséias e Amós eram contemporâneos. Amós já havia sinalizado a intenção da Assíria em destruir Israel (Am 7:10). Nínive era a capital da Assíria. Jonas foi convocado a pregar contra os pecados dessa cidade. Deus pediu a Jonas disposição. Jonas respondeu com disposição, mas para fugir da presença de Deus.
Quando li esse texto perguntei a mim mesmo: Quantas vezes já fiz isso? Quantas vezes ouvi uma ordem clara de Deus e rejeitei essa ordem? Quantas vezes comprei uma passagem para Társis. Objetivo de Jonas: Fugir da presença do Senhor.
O que chama atenção no texto é o que diz o verso 3: “Para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor”. Mas por que alguém fugiria da presença do Senhor? “Presença” em hebraico significa literalmente “face”, uma metáfora carregada de experiências complexas e íntimas. “A face é a nossa primeira visão. Adquirimos confiança e afeto (ou, em alguns casos terríveis, rejeição e maus tratos) através da face”. O salmista nos ensina no Salmo 139:7-10 Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.
Como interpretar essa frase? Ir para Társis e fugir da presença do Senhor? Na prática consigo enxergar isso nas minhas atitudes. Vejo-me comprando passagem para Társis em alguns momentos da minha vida.
1. Társis é o anúncio enfático da minha relutância em obedecer a Deus.
A viagem de Jonas até Társis é iniciada com a Palavra de Deus. Ele não apenas ignora a palavra e continua na mesma vidinha de sempre. Ele escolhe o seu destino: Társis. Jonas simplesmente decide não obedecer a Deus.
Tenho feito isso inúmeras vezes. Reluto em obedecer ao comando de Deus. Obediência é submissão à autoridade, fazer o que é ordenado, cumprir o que se exige ou abster-se o que é proibido. Não existe substituto para a obediência nem é possível ter o favor de Deus sem ela. Como Samuel disse ao Rei Saul: “Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros”. 1Sm 15:22. Deixar de obedecer é rejeitar a palavra de Deus, é demonstrar que a pessoa realmente não crê, não confia, nem tem fé nessa palavra e em sua Fonte. Quem deixa de obedecer não difere de quem pratica a adivinhação ou utiliza ídolos. 1Sm 15:23 Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.
Não adiante expressar com os meus lábios obediência se na prática ela não acontece. Jesus contou uma história em Mt 21:28-31: E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus.
2. Társis define o meu interesse em comandar a minha própria vida
Por mais incoerente que pareça, existe um motivo. “Uma coisa curiosa acontece quando experimentamos Deus. A experiência do Éden se repete nas nossas vidas. A experiência com Deus – o êxtase, a totalidade dele – é acompanhada por uma tentação de reproduzir a experiência como Deus. O gosto por Deus torna-se numa ambição de tornar-se Deus”.
Eu fujo da face de Deus para controlar a minha vida e tomar as decisões por conta própria. Eu fujo da face de Deus para que o meu orgulho e a minha vontade prevaleçam. Eu gosto de estar no comando. Por que não fazer as coisas do meu jeito? Por que tem que ser de outro jeito?
3. Társis é a apropriação de uma falsa espiritualidade
Para Jonas a sua atitude era senso de justiça aguçado. Nínive tinha que pagar pelos seus pecados. No caso de Nínive não cabia o perdão do Senhor. Nós assumimos com muita facilidade a posição de juiz em situações que surgem na nossa vida. Como é fácil julgar as pessoas. Como é fácil enxergar em nós uma espiritualidade que os demais jamais alcançarão. Eu fujo da face de Deus, vou para Társis e assim entro em pecados anteriormente não vivenciados. Pecados de origem carnal são claros e fáceis de serem percebidos. Pecados espirituais não são discernidos facilmente. É muito difícil diagnosticar. “Não conseguimos saber se o que experimentamos é obediência enérgica ou presunção humana. Se manifestamos uma santa ousadia inspirada pelo Espírito Santo ou temos em nós uma arrogância alimentada por um ego ansioso.Se temos uma fé confiante ou auto-exaltação. Em nenhum outro lugar o engano é mais comum do que na religião”.
Todas as vezes que assumo uma espiritualidade moldada nos meus conceitos pessoais, compro uma passagem para Társis. Não sei se o mesmo acontece com você, mas já me vi em algumas ocasiões dando respostas espirituais para justificar as minhas atitudes de desobediência.
4. Társis é a busca por uma vida mais empolgante
Por que Társis? Porque ela é bem mais empolgante e interessante do que Nínive. “Nínive era um lugar antigo com camada após camada de história arruinada e infeliz. Ir para Nínive para pregar não era uma missão cobiçada por um profeta hebreu com boas recomendações. Társis era outra coisa. Társis era um lugar exótico, uma aventura. Tinha o encanto desconhecido enfeitado com detalhes barrocos de fantasia e imaginação. Nas referências bíblicas, Társis era ‘um porto distante e às vezes idealizado’”.
1 Rs 10:22 relata que a frota de Salomão ia a Társis para pegar ouro, prata, marfim, macacos e pavões. Társis era o paraíso distante. Muitos perderam a graça pela comunhão com o Pai. Vida com Deus, intimidade com o Senhor se tornaram enfadonhos.
Eu sempre compro uma passagem para Társis:
Quando vivo a minha vida aqui na terra servindo a mim mesmo, deixando de servir e obedecer à voz do Senhor.
Quando traço os meus planos pessoais sem a participação de Deus.
Quando crio a minha própria espiritualidade desconectada da espiritualidade apresentada por Deus em Sua Palavra.
Quando considero o chamado e a vocação de Deus enfadonhos e tudo mais me alegra, menos servir e obedecer ao Senhor.
Esse texto me envergonha porque vejo em Jonas a minha própria vida. Esse texto me encoraja, porque vejo em Jonas a coragem de expor o seu pecado. Esse texto fala comigo e me ensina que é bem mais simples e mais fácil obedecer a voz de Deus.
Boa semana
Ricardo
* Os comentários destacados entre aspas e em itálico são de Eugene Peterson
sábado, 31 de dezembro de 2011
ESCOLHAS – QUAIS AS SUAS ESCOLHAS PARA 2012?
Escolhas fazem parte da nossa vida. Diariamente somos colocados diante de escolhas. Li esses dias uma reportagem com o título “Antes de traçar metas para 2012, avalie os erros de 2011”. Os resultados que tivemos em 2011 são frutos das nossas escolhas, direta ou indiretamente.
2012 está aí. Quais as escolhas para esse novo ano?
Na Bíblia temos dois fortes convites a escolhas no Antigo e Novo Testamentos. Moisés fala sobre escolhas e Paulo amplia o leque utilizando a mesma mensagem de Moisés
Vejamos Moisés em Deuteronômio 30
Porque este mandamento que, hoje, te ordeno não é demasiado difícil, nem está longe de ti. Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Pois esta palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires. Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal... escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência...
Moisés diz aqui ao povo que tudo aquilo que foi revelado como mandamento de Deus não era incompreensível nem inatingível. Nada estava tão distante que não pudesse ser alcançado nem escondido que não pudesse ser compreendido. O que é enfatizado no texto é a questão da escolha. Dependendo de qual escolha fosse feita poderia resultar em vida e bem ou morte e mal. Quando Moisés afirma que colocou diante do povo as possibilidades está dizendo que há uma necessidade de escolha. Muito interessante é ver Moisés sugerindo ao Povo que escolha a vida.
Paulo em Romanos 10
Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu?, isto é, para trazer do alto a Cristo; ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos. Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação.
Para Moisés Deus tinha revelado o seu mandamento e se aproximou do povo para mostrar um caminho de obediência. A ideia era receber a Palavra de Deus, que veio em forma de lei, com coração humilde. Para Paulo havia uma nova situação. Deus agora se aproximava dos homens em Cristo e não era solicitado um esforço sobrehumano, mas sim uma aceitação alegre da sua graça.
Escolher Jesus como Senhor, para Paulo, tinha claras implicações: Significava um profundo conhecimento do que estava dizendo, pois sabia o significado teológico dessa expressão. Cada um que se declarava cristão naquela época estava fazendo a escolha de se render a Jesus como Senhor da sua vida. Ele era tanto o salvador como o Senhor da vida daquele cristão. Significava assumir um compromisso radical com Jesus. E isso envolvia mudança de mentalidade. A forma de avaliar e enxergar a vida. Agora não era a minha forma de pensar ou avaliar a vida que prevalecia, mas o que Jesus dizia era o que contava. Envolvia também uma mudança de comportamento. O meu modelo de conduta agora deveria ser Jesus. O que ele fez e ensinou deveria ser o meu estilo de vida. Envolvia uma mudança de propósitos. Agora não seriam mais os meus planos pessoais que prevaleceriam, mas os propósitos eternos de Deus na minha vida. Envolvia uma mudança de relacionamentos. Pessoas teriam que ser importantes para mim. Viver uma vida em função das pessoas, lutando para vê-las bem e sendo restauradas pela graça de Deus seria a minha forma de viver relacionamentos. Isso significa uma mudança de postura. Uma nova postura como empregado ou empregador, como cidadão, como participante da sociedade. Agora Jesus estabelecia o meu comportamento e não mais a “voz do povo”. Significava uma nova forma de enxergar o mundo. Muito mais do que lugar de conquistas pessoais e de grandes males, mas um lugar que aguardava com ansiedade a restauração que só se encontra em Cristo Jesus.
Escolher Jesus como Senhor tinha implicações. Paulo disse então: Essa foi a minha escolha.
Jesus encerra o tema em Mateus 7
Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.
O texto é claro – escolha a porta que você quer passar e o caminho que você quer caminhar. Se você quer encontrar a vida, então precisa passar pela porta estreita e andar pelo caminho estreito.
São as escolhas que definem onde passaremos a eternidade. 2012 está iniciando. Hoje mesmo você precisará fazer escolhas. Desde o Antigo Testamento até o novo Testamento a proposta de Deus é que escolhamos a vida. Não é fácil. É um desafio diário, mas uma garantia de uma eternidade com Deus.
Um texto de alguém dos nossos dias que um dia acordou e colocou no papel quais escolhas faria para aquele dia. Ele já havia escolhido a vida, a porta e o caminho estreitos, Jesus como Senhor e Salvador. Max Lucado escreveu o seguinte em um dos seus escritos:
Tudo está em silêncio. Ainda é muito cedo. Meu café está quente. O céu está escuro. O mundo ainda dorme. O dia está para chegar.
Em alguns momentos ele surgirá. Despontará com o nascer do sol. A calma da alvorada será trocada pelo barulho do dia. A tranquilidade do isolamento será substituída pelos passos pesados da raça humana. O refúgio da madrugada será invadido pelas decisões a serem tomadas e prazos a serem cumpridos.
Durante as próximas 12 horas ficarei à mercê das demandas diárias. Este é o momento em que preciso fazer escolhas. Por causa do Calvário, estou livre para escolher.
Escolho o amor...
Nenhum fato justifica o ódio; não há injustiça que justifique a amargura. Escolho o amor. Hoje amarei a Deus e o que Ele ama.
Escolho a alegria...
Convidarei o meu Deus para que seja o Deus da circunstância. Recusarei a tentação de ser cínico... a ferramenta do pensador preguiçoso. Recusar-me-ei a ver as pessoas como nada menos que seres humanos, criados por Deus. Recusar-me-ei a ver qualquer problema como nada menos que uma oportunidade de ver Deus.
Escolho a paz...
Viverei o perdão. Perdoarei para que possa viver.
Escolho a paciência...
Negligenciarei as inconveniências do mundo.
Ao invés de amaldiçoar aquele que tenta tomar o meu lugar, convidá-lo-ei a fazer isto. Não reclamarei a longa espera, mas agradecerei a Deus pelo momento de oração. Ao invés de cerrar meus punhos face a novas designações, enfrentá-las-ei com alegria e coragem.
Escolho a generosidade...
Serei generoso para com os pobres, por estarem solitários. Generoso para com os ricos, por estarem temerosos. E generoso para com o mau, pois é assim que Deus tem tratado a mim.
Escolho a virtude...
Prefiro ficar sem um tostão a ganhar algum desonestamente. Serei negligenciado para não ser jactante. Confessarei antes que seja acusado. Prefiro a virtude.
Escolho a fidelidade...
Hoje cumprirei minhas promessas. Meus devedores não lastimarão sua confiança. Meus associados não questionarão minha palavra. Minha esposa não questionará o meu amor. E meus filhos nunca temerão que seu pai possa não retornar ao lar.
Escolho a mansidão...
Nada pode ser vencido à força. Escolho a mansidão. Se levantar a minha voz, que ela possa ser apenas em louvor. Caso cerre meus punhos, que sejam em oração. Caso dê uma ordem, que seja apenas para mim mesmo.
Escolho o autocontrole...
Sou um ser espiritual. Após a morte deste corpo, meu espírito subirá. Recuso-me a permitir que a podridão domine o que é eterno. Escolho o autocontrole. Ficarei embriagado apenas pela alegria. Comovido apenas pela minha fé. Serei influenciado apenas por Deus. Serei ensinado apenas por Cristo. Escolho o autocontrole.
Amor, alegria, paz, paciência, generosidade, virtude, fidelidade, mansidão, autocontrole. A estes submeto o meu dia. Caso seja bem-sucedido, louvarei a Deus. Se falhar, buscarei sua graça. E então, ao anoitecer, colocarei minha cabeça sobre o travesseiro e descansarei.
Um 2012 com escolhas especiais para você e sua família
Grande abraço
Ricardo
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
FELIZ NATAL E UM 2012 ESPECIAL
Certa vez um homem chamado Moisés fez a seguinte oração:
“De repente, os nossos dias são cortados pela tua ira; a nossa vida termina como um sopro. Só vivemos uns setenta anos, e os mais fortes chegam aos oitenta, mas esses anos só trazem canseira e aflições. A vida passa logo, e nós desaparecemos... Faze com que saibamos como são poucos os dias da nossa vida para que tenhamos um coração sábio”.
Assim como temos dito que o ano de 2011 voou, a nossa vida também está “voando”. Se deixarmos, continuaremos nessa corrida desenfreada na tentativa de alcançar mais alguma coisa e tudo passará tão rápido que perderemos os detalhes da vida.
Final de ano é época de festa, compras de presentes e muitas comemorações. É tempo de traçar objetivos para o próximo ano e tentar alcançar locais desejados. Mesmo nesse contexto, a correria não acaba na nossa vida.
Parar em algumas ocasiões faz bem. Andar a pé e perceber aquilo que é imperceptível quando estamos de carro também. Sentar com a família, conversar com os filhos, comermos juntos, ter um tempo só para jogar conversa fora, tudo isso é restaurador.
Refletir sobre o verdadeiro sentido do Natal também é bom. Muito mais do que festas, Natal significa Deus conosco. Um profeta certa vez definiu o Natal assim:
Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso rei. Ele será chamado de “Conselheiro Maravilhoso”, “Deus Poderoso”, “Pai Eterno”, “Príncipe da Paz”. Ele será descendente do rei Davi; o seu poder como rei crescerá, e haverá paz em todo o seu reino. As bases do seu governo serão a justiça e o direito, desde o começo e para sempre. No seu grande amor, o SENHOR Todo-Poderoso fará com que tudo isso aconteça.
Essa criança veio ao mundo há mais de dois mil anos, viveu entre nós, foi crucificado e no terceiro dia ressuscitou dentre os mortos, subiu aos céus e um dia voltará para buscar aqueles que são seus. O seu nome, Jesus.
Natal não é religião. Natal é uma pessoa. Natal fala de um Deus que se fez gente e andou entre nós. Natal fala de relacionamento com aquele que preenche o nosso coração com a paz que o mundo não pode dar, porque ele é o “Príncipe da Paz”.
A todos aqueles que visitam o meu blog e são edificados com o que aqui é escrito, um Feliz Natal e um 2012 cheio de realizações e “paradas” estratégicas.
Ricardo Carvalho
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O DEUS DE TODA CONSOLAÇÃO
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!
Quando li essa frase pronunciada pelo apóstolo Paulo, fui levado a pensar mais um pouco sobre essa consolação concedida por Deus a cada um de nós.
A palavra que se traduziu aqui por “consolação” é a mesma palavra de onde sai a expressão que define o Espírito Santo, o nosso consolador. Alguém que segura na outra ponta conosco. Um Deus sempre presente, providenciando livramentos e cuidando do seu povo. É a mesma expressão citada por Lucas ao apresentar Simeão (Lc 2:25). Ele era um dos que esperavam a “consolação de Israel”, ou seja, o livramento que Deus providenciaria quando enviasse o Messias para restaurar todas as coisas.
No capítulo 1 da Segunda carta aos coríntios, Paulo abre o coração de uma forma marcante. Ele expressa toda a sua gratidão a Deus porque em meio às tribulações sempre sentiu e experimentou da Sua presença restauradora. Paulo sabia que por mais que as tribulações fossem em grande medida, Deus derramaria consolo de forma transbordante.
Ele compartilha no texto uma experiência dolorosa vivenciada em alguma ocasião. O que sabemos sobre esse acontecimento é que foi devastador na vida do apóstolo Paulo. Ele entrou em desespero, porque foi algo acima das suas próprias forças. Foi tão forte a tribulação, que Paulo achou que iria morrer.
Se a situação de que Paulo se livrara fora uma forte oposição dos judeus de Éfeso, então podemos pensar no que aconteceu. O seu ministério foi extremamente eficaz em Éfeso. Pessoas se entregaram a Jesus, muitos deixaram a magia e outros tantos foram curados. A revolta de um ourives chamado Demétrio por causa da queda nos lucros relacionados ao grande templo da deusa Diana provocou um dos maiores tumultos na cidade. Paulo viu dois companheiros seus sendo arrancados e levados pela multidão. Ele mesmo quis agir, mas foi impedido de sair. Se esse foi o momento, então Priscila e Áquila foram usados por Deus para livrar Paulo da morte. Ele mesmo cita isso em Romanos 16:3,4 ”Saudai a Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram as suas próprias cabeças”.
O fato é que essa experiência traumática ensinou a Paulo a confiar e depender somente de Deus. “Com tudo o que enfrentou Paulo aprendeu que um dos propósitos de Deus ao atirar-nos em aflições é ensinar-nos total dependência dele”.
Em tudo isso, no capítulo 1 da segunda carta aos coríntios, Paulo deixa lições preciosas para a nossa vida. Ele nos ensina que podemos contar sempre com o Deus de toda a consolação.
1. Temos um Deus que nos conforta em todas as tribulações que enfrentamos – v.4
2. Temos um Deus que nos traz consolo transbordante quando os sofrimentos se manifestam em grande medida – v.5
3. Temos um Deus que nos dá coragem e paciência para não desistir – v.6
4. Temos um Deus que nos ensina a confiar nele, mesmo quando não enxergamos mais possibilidade de livramento – v.8,9
5. Temos um Deus que nos dá a certeza de que nos livra hoje e nos livrará amanhã – v.10
6. Temos um Deus que sempre “levanta” outros para orarem em nosso favor – v.11
Não estamos sozinhos. Em nenhum momento ficamos desamparados. Está vivendo um momento devastador na sua vida? Está enfrentando tribulações acima das suas forças? Entrou em desespero? Temos um Deus que “segura as pontas” conosco e não deixa a “peteca” cair.
Assim, repetimos em alto e bom som:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!
Paz
Ricardo
terça-feira, 15 de novembro de 2011
CONFIAR EM DEUS
Na última terça-feira, dia 07.11.2011, acordei às 3h30 bastante preocupado com a situação da venda do imóvel onde estamos. Antes do prazo esperado fomos desafiados a uma compra impossível aos nossos olhos. Não sei como explicar, mas depois de um tempo Deus foi me enchendo de paz. Pela manhã, ao chegar à CPA, abri a Bíblia em 2 Samuel 24 e pude entender o que Deus estava requerendo nesse momento de imenso desafio.
O texto de Samuel mostra Davi num momento de fraqueza. É o mesmo texto citado em 1 Crônicas 21, sendo que lá há uma referência da ação de satanás na vida de Davi.
Num determinado momento da sua vida Davi resolveu levantar o censo militar da nação de Israel. O censo em si não é pecado. No caso específico de Davi, provavelmente a intenção fosse formar um exército regular. Davi queria conhecer o potencial das forças combatentes disponíveis.
Por muito tempo não entendi o erro de Davi e a reação de Joabe em não querer obedecer à ordem do rei. Só agora entendo que o pecado de Davi é o do orgulho de auto-suficiência, exatamente contrário da atitude que o caracterizou em toda a sua trajetória como rei. Medir a força do exército era esquecer tudo aquilo que ele cria e praticava. Era abrir mão da dependência do Senhor.
Davi, com esse gesto, estava abrindo mão da confiança em Deus para confiar na sua própria capacidade.
A minha preocupação diante do desafio de compra do imóvel nada mais era do que o reflexo da minha incredulidade. Estava tentando “calcular” o meu potencial. Medir a minha condição de alcançar o “alvo” tão difícil.
Deus falou comigo nesse texto. E me ensinou um caminho para restaurar a confiança nele.
Davi sentiu “bater” o coração quando o resultado do censo veio depois de nove meses e vinte dias. Ele tinha um coração sensível e orou imediatamente, primeiro confessando o seu pecado e, então, pedindo a remoção da iniqüidade, ou culpa, e de suas conseqüências.
As atitudes de Davi são lições preciosas para a nossa vida. Deixamos de confiar em Deus sem perceber que estamos agindo dessa forma. De repente, queremos resolver as coisas com as nossas forças. A ansiedade, preocupação e inquietação nada mais são que reflexos de uma vida que parou de confiar em Deus.
Davi precisou restabelecer a confiança no Senhor.
Primeiro, ele reconheceu que tinha pecado – v. 10 – Esse é o primeiro passo; reconhecer que tenho confiado mais em mim do que em Deus e isso é pecado. Tenho dado muitos nomes a esse pecado, como responsabilidade, compromisso, dedicação, trabalho, etc., mas no fundo é a minha tentativa de fazer acontecer com a minha própria força.
Quando Davi fez essa oração, Deus falou com o profeta Gade e deu três escolhas a Davi como punição por causa do seu pecado – Três anos de fome na terra, três meses nas mãos dos inimigos ou três dias com uma peste enviada por Deus. Davi escolheu a terceira. Aí está uma segunda atitude que nos leva de volta a confiar em Deus – Quando resolvo novamente colocar tudo nas mãos de Deus, seja em momentos bons ou ruins – v.14
Foram 70 mil israelitas mortos por causa da peste. Quando a doença estava chegando em Jerusalém, Davi orou mais uma vez ao Senhor e demonstrou uma terceira atitude necessária para quem quer restabelecer a confiança em Deus – Quando paro de culpar os outros e reconheço que o problema está em mim – v.17 – foi isso que ele fez. Reconheceu que tudo aquilo estava acontecendo por sua culpa. Muitas vezes as coisas não vão bem e ficamos procurando responsáveis sem assumir a nossa responsabilidade pessoal.
Deus ouviu a oração de Davi e mais uma vez enviou uma palavra através de Gade. O que foi solicitado, Davi obedeceu sem demora. A ordem era construir um altar em um determinado local, um campo de Arauna, para que a praga cessasse. Davi obedeceu tudo aquilo que lhe foi solicitado.
A gente pode guardar mais uma lição preciosa para restabelecer a confiança em Deus – Quando obedeço tudo o que Deus ordena e restauro a vida no altar – v.18 – Não existe nada melhor do que ter a vida no altar de Deus como um sacrifício vivo, santo e agradável a Ele. Restaurar o altar é restaurar a adoração, restaurar o culto a Deus. Quanto mais próximo de Deus, mais confiante fico.
Davi recebeu de Arauna o campo e os bois para sacrificar, mas não aceitou e pagou o valor devido pelo terreno e pelos bois. Ele sabia que vida de confiança em Deus mexe na zona de conforto, custa muito, não é tão simples. Essa última lição é preciosa – Quando entendo e assumo o compromisso de pagar o preço devido para viver a confiança em Deus – v.24 – Não é simples. É um desafio. Mexe no meu eu, na minha tendência natural. Preciso aprender com Davi que confiança em Deus é algo que custa “caro”. Preciso me esforçar por isso. Não é sem motivo que a Bíblia me ensina que crer é uma batalha e que descansar é um esforço. Me custa muito confiar em Deus e eu quero aprender a pagar o preço devido.
Davi retomou a sua caminhada de confiança em Deus. Um detalhe marcante desse altar construído nesse local é que, posteriormente, o templo foi erguido aí.
A incredulidade nem sempre se manifesta de forma clara, mas ela sempre quer nos pegar de alguma forma. Não existe lugar mais seguro para apresentar tudo do que as mãos de Deus. Cada um tem a sua responsabilidade. Cada um responde por si e não pelos outros. A verdadeira prosperidade é encontrada na dependência que temos em Deus, e somente nele. Quando oferto de forma sacrificial, a repercussão espiritual do gesto alcança mais do que posso imaginar.
Se vamos conseguir comprar o imóvel eu não sei. Mais adiante quem sabe lhe respondo isso. Mas que eu estou em paz, isso estou. A única coisa que quero agora é confiar em Deus.
E como diz Paulo Cesar Baruk, “milagres ocorrem quando de joelhos estou”.
“Confiar em ti, de joelhos em amor ...”
Paz
Ricardo
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